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Numa das escutas, Lula diz que “jamais” iria para o governo para se proteger

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BOSCO MARTIN / EPA

Em conversa telefónica com o governador do Piauí, uma das inúmeras escutas da Polícia Federal ao ex-Presidente cujo sigilo foi levantado pelo juiz Sérgio Moro esta quarta-feira, Wellington Dias diz a Lula que “o Brasil precisa nesse instante de você aqui [no governo]”

Numa das escutas da Polícia Federal (PF) a Luiz Inácio 'Lula' da Silva, que o juiz Sérgio Moro ordenou esta quarta-feira que fossem tornadas públicas para "propiciar [...] o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal”, o ex-Presidente fala com o governador de Piauí sobre a possibilidade de vir a integrar o governo de Dilma Rousseff para escapar a imputações no caso Lava-Jato.

Nessa conversa, com o governador Wellington Dias e com Valmir Moraes da Silva, Lula garante que jamais aceitaria um cargo de ministro para se proteger legalmente — algo que acabou por acontecer esta quarta-feira, horas antes da divulgação das escutas, com Dilma Rousseff a convidá-lo para ser o superministro da sua administração.

Eis a conversa na íntegra:

Wellington Dias: O Brasil precisa nesse instante de você aqui. Sei que é uma operação que não é fácil para você. Há, pelo que eu sei, disposição dela [Dilma] e acho que vale a pena, viu presidente?

Lula: Mas deixa eu te falar, eu vou ter uma conversa com ela, porque não é fácil. Não é uma tarefa fácil. Veja, eu jamais direi ao governo para me proteger.

Wellington Dias: Não, eu sei. Mas não é para isso. Isso que você está fazendo é uma coisa excepcional. É uma coisa fantástica que você está fazendo se caminhar nas duas direção [sic] o que você está fazendo, essas duas medidas que a gente tá tratando da economia. To aqui para falar com ela [Dilma] sobre isso. Oito partidos, 21 governadores, que dão sustentação às mudanças que ela precisa fazer para a economia. Não tem jeito. Ela tem que aumentar um pouco o endividamento para poder ter dinheiro para fazer esse país.

Numa outra conversa divulgada pelo jornal "Globo", entre Lula e uma pessoa chamada "Roberto Carlos" cuja identidade ainda não foi apurada, do outro lado da linha é deixado claro que um cargo num ministério serviria de foro privilegiado ao ex-Presidente — a crítica tecida por toda a oposição desde que Dilma ofereceu ao antecessor o cargo de ministro-chefe da Casa Civil.

Roberto Carlos: “Eu acho, tá, tem uma coisa que tá na mão de vocês. É ministério, acabou. Agora você tem uma coisa na tua mão, você, o PT, a Dilma... Vai ter porrada? Vai criticar? E daí? Numa boa, você resolve outro problema, que é o problema da governabilidade”.