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Mais de três semanas de escutas reveladas pelo juiz Sérgio Moro

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BOSCO MARTIN / EPA

Opinião pública brasileira divide-se com a divulgação das escutas telefónica entre Lula da Silva e a presidente Dilma Roussef. Numa delas, Lula confirma a sua intenção de se recandidatar em 2018 e antecipar o início da campanha já para esta semana

A cruzada jurídico-mediática do juiz federal Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula da Silva tem o seu ponto mais alto com a revelação, esta quarta-feira, de mais de três semanas de escutas telefónicas.

Sérgio Moro é o magistrado que assinou a 4 de março o mandado de detenção provisória de Lula da Silva no aeroporto de Congonhas e que obrigou o ex-presidente a ir sob escolta policial prestar declarações no caso Lava Jato. Uma detenção provisória que surgiu uma semana antes das manifestações anti-Dilma (realizadas no domingo, dia 13)

A divulgação das escutas está a provocar grande polémica no Brasil, com constitucionalistas dividos sobre a legalidade das escutas e a Ordem dos Advogados a dizer que se trata de uma atuação “própria de um estado policial”.

Numa das conversas intercetadas, na sequência da detenção de Lula em Congonhas, o ex-presidente admite a hipótese de se recandidatar em 2018 e antecipar o ínicio de campanha. Hipótese que o próprio Lula admitiu em público na sessão do plenário do Partidos dos Trabalhadores, pouca horas depois de ser libertado.

Excertos da escuta

Lula: Então é isso Dilma, eu acho que foi um espetáculo de pirotecnia. A tese deles é de que tudo que ta acontecendo foi uma quadrilha montada em 2003 e que portanto, sabe, ela perdura até hoje, sabe? E dentro do Palácio, é a tese deles, é a tese deles. Então eles não precisam de explicação, como a teoria do domínio do fato não precisava de explicação, o crime estava dado, agora é o seguinte, a imprensa diz que é criminoso e eles colocam em prática. Eu, estou dizendo aqui pro PT, Dilma, que não tem mais trégua, não tem que ficar acreditando na luta jurídica, nós temos que aproveitar a nossa militância e ir pra rua. Eu, sinceramente, que tô querendo me aposentar, eu vou antecipar minha campanha pra 2018, eu vou acertar de viajar esse país a partir da semana que vem, sabe?! E quero ver o que vai acontecer. É, lamentavelmente, vai ser isso, querida. Eu não vou ficar em casa parado.

Dilma: O senhor não acha estranho aquela história de quinta-feira? A Isto É antecipar.. (interrupção)

A presidente Dilma começa por questionar o facto de a revista ISTO É ter revelado no dia anterior, quinta-feira, 3 de março, a delação premiada de Delcídio Amaral que poderá implicar Lula da Silva. A delação premiada só foi homologada pelo tribunal esta terça-feira, 15 de março

Apoios de leitura

Veja AQUI a notícia da BBC Brasil sobre o assunto

Veja AQUI a nota do instituto Lula sobre notícia

Veja AQUI o relato das escutas publicadas pelo Estado de São Paulo