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Lula acusa juiz Sérgio Moro de querer “fazer um espetáculo de pirotecnia”

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PAULO WHITAKER / Reuters

Numa das escutas ao ex-Presidente do Brasil, de uma conversa com a sua suecessora Dilma Rousseff, Lula da Silva critica a cobardia das instituições brasileiras e sugere estar a ser alvo de uma cabala política alimentada pelos media. “A imprensa diz que é criminoso e eles colocam em prática”

Numa escuta ao telefone de Lula da Silva, uma das várias captadas pela Polícia Federal nos últimos meses e esta quarta-feira divulgadas sob ordens do juiz Sérgio Moro, ouve-se o ex-Presidente do Brasil a falar com a atual líder do país sobre a vontade desse juiz em "fazer um espetáculo de pirotecnia" a partir do caso Lava-Jato.

Na conversa em questão, que segundo a revista "Veja" aconteceu a 4 de março, as duas figuras maiores do Partido dos Trabalhadores (PT) começam por criticar a divulgação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral — que, ao saber-se investigado no âmbito do mesmo caso de corrupção, aceitou devolver aos cofres públicos 1,5 milhões de reais (cerca de 357 mil euros) e colaborar com a Procuradoria-Geral da República nas investigações ao escândalo da Petrobras.

(O acordo entre o senador e a PGR, sob o qual Delcídio do Amaral implica 74 pessoas no esquema de corrupção, foi tornado público esta terça-feira, 15 de março, pelo que a data atribuída à conversa pela "Veja" poderá estar errada).

Segundo o jornal "Globo", essa é a mesma conversa onde Lula faz referência à chamada 'República de Curitiba', criticando a cobardia das instituições judiciais e políticas brasileiras e, em particular, o juiz a cargo da operação Lava-Jato.

"Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente acovardado, um Parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos é que o PT e o PC do B [Partido Comunista do Brasil] é que acordaram e começaram a brigar. Nós temos um Presidente da Câmara fodido, um presidente do Senado fodido, não sei quantos parlamentares ameaçados, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e que vai todo mundo se salvar. Eu, sinceramente, tô assustado com a 'República de Curitiba'. Porque a partir de um juiz de primeira instância, tudo pode acontecer nesse país".

Sérgio Moro, continua Lula, "quis fazer um espetáculo, antes da decisão daquele negócio que tá no Supremo pra decidir, a gente não sabe se é contra ou a favor, mas ele precisava fazer um espetáculo de pirotecnia. As perguntas foram as mesmas que eu já respondi ao MP [Ministério Público] e a dois delegados da PF", ouve-se Lula a acusar, antes de criticar as apreensões nas casas dos filhos e nas de membros do Instituto Lula, como Clara Ant.

Lula: "A Clara tava dormindo sozinha quando entrou cinco homens lá dentro, ela pensou que era presente de Deus, era a Polícia Federal, sabe? então...(risos)".

Dilma: "Ela pensou que era um presente de Deus? (risos)"

Lula: "Então é isso Dilma, eu acho que foi um espetáculo de pirotecnia. A tese deles é de que tudo que tá acontecendo foi uma quadrilha montada em 2003 e que portanto, sabe, ela perdura até hoje, sabe? E dentro do Palácio, é a tese deles, é a tese deles. Então eles não precisam de explicação, como a teoria do domínio do facto não precisava de explicação, o crime estava dado, agora é o seguinte a imprensa diz que é criminoso e eles colocam em prática."