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Estudo indica que doentes de Alzheimer poderão recuperar memórias

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AFP / Getty Images

Ao contrário do que se pensava, a doença de Alzheimer pode não destruir memórias e apenas as torna inacessíveis, situação que poderá ser reversível de acordo com um estudo conduzido pelo neurocientista Susumu Tonegawa, premiado com um Nobel

As memórias perdidas pelos doentes de Alzheimer podem não ter sido destruídas, encontrando-se apenas em zonas dos seus cérebros que ficaram inacessíveis, conclui uma investigação conduzida pelo neurocientista Susumu Tonegawa, no Massachusetts Institute of Techmology (MIT) em Cambridge.

Ao contrário do que se pensava, o Alzheimer pode não destruir memórias, tornando-as apenas inacessíveis, situação que poderá ser reversível, indicam as conclusões divulgadas na publicação científica “Nature”.

Os investigadores recorreram a ratos geneticamente modificados para apresentarem sintomas semelhantes aos dos humanos com Alzheimer. Os animais foram colocados numa caixa que lhes dava pequenos choques elétricos nos pés (a um nível não perigoso mas incomodativo).

Passadas 24 horas, os ratos foram colocados novamente na caixa, efetuando também a experiência com outros não geneticamente modificados. Estes últimos ficaram paralisados com medo, antecipando a sensação desagradável, o que não aconteceu aos demais. Posteriormente, com recurso a uma luz azul, foram estimuladas zonas do cérebro – das “células engrama” associadas à memória – dos ratos geneticamente modificados. Depois deste estímulo, quando os animais foram novamente colocados na caixa manifestaram também a mesma reação de medo paralisante.

Ao analisarem a estrutura física do cérebro dos ratos, os investigadores constataram que aqueles com características de Alzheimer tinham menos conexões sinápticas e que estas aumentavam para um nível semelhante ao dos outros ratos através da estimulação com a luz azul.

Sintomas de Alzheimer desapareceram

“As memórias dos ratos foram reencontradas” deste modo, “isso significa que os sintomas da doença de Alzheimer nos ratos foram curadas, pelo menos na sua fase inicial”, considerou Tonegawa, o neurocientista contemplado em 1987 com o Nobel da Fisiologia e Medicina.

“Uma vez que os humanos e os ratos têm um princípio comum em termos de memória, as nossas descobertas sugerem que os pacientes com Alzheimer, pelo menos quando se encontram numa fase inicial da doença, podem também manter as memórias nos seus cérebros, o que significa que poderá existir a possibilidade de cura”, afirmou Susumu Tonegawa em declarações à agência France Presse.

“É um estudo belamente executado”, comentou Itzhak Fried, neurocirurgião da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, Contudo, em declarações à “Nature” este especialista expressa a sua cautela quanto à transposição do mesmo tipo de abordagem para os humanos.

Novas esperanças para a descoberta da cura

Christine Denny, neurobióloga da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, mostra-se otimista quando ao potencial da estimulação elétrica neste tipo de casos. Os primeiro testes já haviam indicado que a estimulação do cérebro no hipocampo leva à criação de neurónios e melhora a memória de alguns doentes de Alzheimer, mas ninguém sabe como funciona.

As conclusões da investigação conduzida por Tonegawa poderá permitir estimulações mais localizadas, especialmente quando os cientistas descobrirem o que acontece com as memórias após elas terem deixado o hipocampo, refere a revista “Nature”.

São novas esperanças para que venha a ser descoberta a cura para o Alzheimer, doença que afeta cerca de 70% dos 47,5 milhões de pessoas em todo o mundo que sofrem de demência. Um número que tem tendência a aumentar com o envelhecimento da população.