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Internacional

Portugal desce para o 94.º país mais feliz

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Tiago Miranda

Ao contrário do que aconteceu com o nosso país, a crise do sistema financeiro não afetou grandemente os índices de felicidade da Islândia e Irlanda, que surgem, respetivamente, em 3.º e 19.º lugar na lista que posiciona 157 nações

Portugal desceu para o 94.º lugar na lista dos países mais felizes do mundo, divulgada esta quarta-feira em Roma. A tabela conta com 157 países analisados entre 2013 e 2015.

A Dinamarca passou para o primeiro lugar, ultrapassando a Suíça e a Islândia, que surgem agora, respetivamente, em segundo e terceiro, seguindo-se Noruega, Finlândia e Canadá no topo da lista. Nos últimos lugares, por ordem ascendente, surgem Burundi, Síria, Togo, Afeganistão, Benin, Ruanda e Guiné.

Efetuada pela quarta vez pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável e pelo Instituto da Terra da Universidade de Columbia para as Nações Unidas, esta classificação agora divulgada antecede o Dia da Felicidade que se assinala no próximo domingo.

As diferenças relativamente aos apoios sociais, rendimentos e expectativa de anos de vida saudável são os três fatores mais importantes na elaboração da lista. A confiança (no sentido da perceção de ausência de corrupção no Governo e nas empresas), a perceção de liberdade (para a tomada de decisões importantes na vida) e a generosidade (doações recentes) são outros elementos tidos em conta.

Portugal tem vindo consecutivamente a descer nesta tabela. Na edição de 2015 (relativa aos anos entre 2012 e 2014) surgia na 88ª posição, depois de na lista de 2013 (de 2010 a 2012) ter estado posicionado três lugares mais acima.

O relatório indica que se tem registado uma “subida geral do nível das desigualdades” em termos de felicidade. Apesar de não tecer comentários relativamente ao caso português, em contraste surgem os casos da Islândia e a Irlanda (que figura em 19.º lugar). Os autores do documento notam que, apesar destes dois países terem tido de lidar com o “dramático impacto” económico das crises dos seus sistemas financeiros, isso praticamente não se refletiu em termos de diminuição dos níveis de felicidade, para o que contribuíram os fortes apoios sociais que possuem. Já a Grécia (na 99ª posição) é apontada como exemplo oposto.

Como avaliação geral, o estudo refere que existe mais felicidade nos países mais próximos de atingirem os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável. “A aferição da autoenunciada felicidade e a conquista do bem-estar deve estar entre as metas de cada nação, à medida que começam a procurar aproximar-se dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (…). Estes incorporam a própria ideia de que o bem-estar humano deve ser cultivado através de uma abordagem holística que integre objetivos económicos, sociais e ambientais” , refere Jeffrey Sachs, coeditor do relatório, diretor do Instituto da Terra da Universidade de Columbia e conselheiro especial do secretário-geral da ONU.

Atualmente, cinco países – Butão, Equador, Escócia, Emirados Árabes Unidos e Venezuela – já contam com ministros da Felicidade, dando maior destaque a essa componente dentro da governação.