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Obama escolheu para Supremo Tribunal juiz capaz de agradar a democratas e republicanos

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Barack Obama apresentou esta quarta-feira Moerrick Garland como o novo Associado de Justiça do Supremo Tribunal

KEVIN LAMARQUE/REUTERS

Os republicanos pretendiam que a nomeação só ocorresse após a eleição do próximo Presidente norte-americano, mas Barack Obama chamou a si a escolha, e nomeou Merrick B. Garland, magistrado de 63 anos que teve papel determinante nas investigações e julgamento dos atentados de 1995 em Oklahoma

É respeitado pelos republicanos, embora venha da área dos democratas. Merrick B. Garland, um reputadissimo magistrado de 63 anos, com um posicionamento político de centro, é a escolha de Barack Obama para o Supremo Tribunal, lugar deixado vago pelo inesperado falecimento de Antonin Scalia no mês passado. Republicano conservador, Scalia era um dos sete juízes que compõem a mais alta instância judicial do país.

A decisão surge num clima de crispação política, pois os membros do Partido Republicano pretendiam que a nomeação para o tribunal supremo fosse efetuada já pelo sucessor de Obama na Casa Branca, na esperança de ganharem a eleição de novembro e de escolherem um nome que restaurasse a maioria conservadora na instituição.

A maioria republicana no Senado já tinha aliás indicado, anteriormente, que iria bloquear a votação de qualquer nomeado e esta escolha de Garland procura levá-los a recuar nessa intenção.

“Ninguém está em melhores condições para servir de imediato o Supremo Tribunal”, referia um comunicado da Casa Branca, que antecedeu o anúncio de Obama. “Ao longo da sua carreira, o juiz chefe Garland mostrou uma rara capacidade de aproximar as pessoas, o que lhe granjeou respeito de todos os que trabalharam com ele”, lia-se na mesma nota.

Merrick B. Garland começou por ganhar grande destaque em casos relativos a ataques terroristas internos nos Estados Unidos. Primeiro quando, enquanto representante do Departamento de Justiça, conduziu a acusação contra Theodore Kaczynski, conhecido como Unabomber, o serial killer que com os seus sofisticados engenhos explosivos causou três mortos e 23 feridos. Depois, quando coordenou a resposta do Departamento de Justiça aos atentados levados a cabo por Timothy McVeigh e Terry Nichols, que estiveram por trás das explosões na cidade de Oklahoma que causaram 168 mortos e 680 feridos em 1995.

Incansável e irrepreensível, Garland, na altura, insistiu para que o enviassem para o local das explosões antes mesmos de os corpos terem sido retirados dos destroços, segundo referiu Jamie S. Gorelick, na altura vice-procurador-geral, em declarações ao “The New York Times”.

Em 1997, foi confirmado como juiz de recurso com 76 votos a favor (30 dos quais vindos de republicanos) e 23 contra. Em 2013, tornara-se juiz chefe do Circuito de Washington D.C.