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Lula aceita lugar no governo de Dilma

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PAULO WHITAKER / REUTERS

Decisão está a causar grande polémica no Brasil: ida de Lula para o governo tem sido vista como uma forma de garantir proteção das investigações de que é alvo por suspeitas de corrupção

Está confirmado. Luiz Inácio Lula da Sila, o mais recente alvo da megainvestigação judicial a alegados crimes de corrupção na classe política brasileira (Operação Lava-Jato), assumirá em breve o comando da Casa Civil da atual chefe de Estado, Dilma Rousseff, passando a beneficiar da chamada “prerrogativa do foro privilegiado”, só podendo ser julgado pelo Supremo Tribunal.

Segundo o jornal “Folha de São Paulo”, a decisão foi tomada numa reunião no Palácio da Alvorada, em Brasília, onde, além de Dilma e de Lula, estiveram presentes os ministros Nelson Barbosa (Finanças) e Jaques Wagner, que cede o lugar ao antigo presidente, assumindo a secretaria-executiva, tornando-se o “número dois” desta pasta.

Conta o jornal que, para aceitar o cargo, Lula colocou como condição uma pequena remodelação do Executivo que conduzisse a uma substancial alteração de política económica e social. O antigo chefe de Estado via com bons olhos a entrada para o Executivo de Celso Amorim para os Negócios Estrangeiros, não tendo descartado a hipótese de substituir Aloizio Mercadante na Educação. No Partido Popular fala-se também de Ciro Gomes, que, a concretizar-se, poderá conduzir a adoção de medidas como “venda de reservas internacionais, queda forçada dos juros e liberação de mais crédito na economia”, explica a “Folha de São Paulo”.

Terá sido esta a estratégia defendida por Lula, pretendendo, desta forma, que a sua entrada para o Executivo não seja apenas vista pela opinião pública como uma forma de refrear a Justiça brasileira.