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Raide antiterrorismo na Bélgica num bairro sem histórico de jiadistas

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Da cidade belga de Forest, nos arredores de Bruxelas, partiram 6 dos 197 jiadistas de Bruxelas para a Jihad. Até agora não era conhecida por albergar extremistas

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O foco da investigação das autoridades belgas e francesas desviou-se do multiétnico bairro de Molenbeeck, onde foram planeados os atentados terroristas de Paris a 13 de novembro do ano passado, para a mais pacata cidade de Forest, a sul de Bruxelas.

Esta é para já uma das grandes novidades do raide policial ocorrido na tarde desta terça-feira, que surpreendeu até os especialistas belgas em terrorismo como Guy Van Vlierden. Ao Expresso, o jornalista do "Het Laatste Nieuws" lembra que Forest (ou Vorst) "não era conhecida até ao momento como sendo uma zona preferencial dos extremistas islâmicos".

Dos 197 jiadistas oriundos da zona metropolitana de Bruxelas que se alistaram no autodenominado Estado Islâmico, "apenas seis eram desta cidade", lembra.

No entanto, a zona mais pobre da cidade, a norte de Forest, fica bastante próxima de uma grande parte das mesquitas da capital belga, o que no entender dos serviços de informações belgas tem facilitado a angariação de algumas franjas mais radicais da pacata comunidade muçulmana.

Guy Van Vlierden recorda que em 2001 a Al-Qaeda recrutou numa mesquita daquela cidade um dos bombistas-suicidas que matou no Afeganistão um dos "senhores da guerra", Ahmed Shah Massoud.

Em setembro do ano passado, Khaled Harra, o íman da mesquita de Forest, causou alguma polémica ao criticar publicamente o governo belga por não respeitar algumas das tradições da religião muçulmana. E considerou que a comunidade local tem vindo a ser alvo de "uma grande discriminação e islamofobia".