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Internacional

Human Rights Watch apela à libertação de jovens cristãos acusados de blasfémia

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O Presidente do Egipto, Abdel el-Sisi

Amr Dalsh / Reuters

O apelo chega um dia depois da demissão do ministro da Justiça, Ahmed el-Zind, que disse que prenderia o Profeta Maomé se ele cometesse um crime

Rafael Silva

Um vídeo onde se ridicularizam as práticas do Estado Islâmico foi suficiente para condenar três adolescentes egípcios a cinco anos de cadeia e enviar outro para o reformatório. Na gravação de 30 segundos, os jovens fingiam que rezavam, com um deles ajoelhado no chão a recitar versos do Corão, enquanto outros dois se riam. Um deles passa a mão pela garganta de outro, simulando uma decapitação. O professor que filmou tudo, também cristão, foi julgado separadamente e condenado a cinco anos de prisão. O vídeo surgiu na sequência da decapitação de um grupo de cristãos egípcios no ano passado, na Líbia.

O Human Rights Watch apela agora à libertação dos jovens. Nadim Houry, diretor-geral para o Médio Oriente, afirma que "estes jovens não devem enfrentar uma pena de prisão por se exprimirem, mesmo que seja através de uma piada. Ridicularizar o Estado Islâmico ou qualquer outro grupo religioso com uma piada infantil não constitui crime. Em vez de oferecerem uma visão retrógrada de blasfémia, as autoridades egípcias deviam proteger a liberdade de expressão."

O apelo da organização vem no seguimento da demissão de Ahmed el-Zind, ex-ministro da Justiça, demitido do cargo por ter dito que se o Profeta Maomé cometesse um crime, ele próprio o enviaria para a cadeia. Esta não foi a primeira vez que as afirmações do ex-ministro foram alvo de controvérsia. No passado, el-Zind já tinha dito que os pais de terroristas condenados mereciam ser punidos por negligenciarem os filhos e que 10 mil membros da Irmandade Muçulmana, agora ilegal, deveriam ser executados por cada polícia ou soldado morto pelos militantes do grupo.

El-Zind sucedeu a Mahfouz Saber, forçado a demitir-se há menos de um ano por ter dito numa entrevista que os filhos de trabalhadores das limpezas não deveriam poder tornar-se juízes.

O Human Rights Watch considera que estes casos fazem parte de um conjunto de condenações por blasfémia, levadas a cabo pelo Presidente Abdel Fattah el-Sissi nos últimos tempos, e apela às autoridades do país para que alterem o código penal.