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Turquia aperta o cerco a curdos após atentado em Ancara

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UMIT BEKTAS / REUTERS

As autoridades turcas apontam que entre os autores do atentado deste domingo na capital do país estava uma militante do PKK, a organização curda antirregime. Em resposta, o Presidente Erdogan ordenou um ataque aéreo às bases rebeldes no norte do Iraque

Enquanto a população recupera do horror vivido este domingo em Ancara, e ainda sem reivindicação clara do atentado com recurso a um carro armadilhado na praça de Kizilay, o governo turco desconfia dos “suspeitos do costume”: o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), uma organização rebelde curda contra o regime de Recep Tayyip Erdogan.

Horas depois da tragédia que vitimou 37 pessoas e fez mais uma centena de feridos na capital turca, as forças aéreas do país levaram a cabo vários ataques aéreos contra as bases curdas no norte do Iraque, avança a agência turca Anadolu. Segundo um comunicado das forças militares, nove F-16 e dois jatos F-4 bombardearam 18 redutos do PKK no Iraque, incluindo localizações nas montanhas Qandil, onde se acredita estarem sediados os líderes do grupo.

Os ataques surgem numa altura em que as autoridades turcas avançam que um dos dois suspeitos da autoria do atentado era uma mulher militante do PKK. De acordo com a Reuters, a presumível bombista terá cerca de 24 anos e ter-se-á alistado nas fileiras dos separatistas curdos em 2013.

Para além dos ataques aéreos às bases, o apertar do cerco à parte turca do Curdistão – no leste do país, fazendo fronteira com Iraque e Irão – não se fez esperar. Na província de Sirnak foi decretado um recolher obrigatório, entretanto já estendido por outras províncias da região. A isto juntam-se várias rusgas pelo país, com o objetivo de encontrar responsáveis ligados ao atentado deste domingo em Ancara.

Com o país ainda de luto, os tribunais turcos ordenaram também o bloqueio do Facebook e do Twitter na Turquia, para que imagens das vítimas não fossem espalhadas pelas redes sociais. O jornal turco “Zaman”, recentemente controlado à força pelo Estado, foi ainda proibido de fazer a cobertura do ataque.

Um país unido por um “mal comum”

O atentado deste domingo surgiu um dia depois de onze terroristas do PKK terem sido mortos durante uma megaoperação antiterrorista na província de Hakkari, no sudeste do país. As autoridades turcas presumem que o carro armadilhado poderá ter sido uma resposta a esta operação.

Certo é que o Presidente turco, de quem já se previam medidas mais sérias contra os separatistas, prometeu um ataque célere e determinado contra o terrorismo no seu país. “Estes ataques terroristas – que têm como alvo a integridade da Turquia, a unidade e solidariedade do nosso povo – não enfraquecem a nossa vontade de lutar contra o terrorismo, apenas aumentam a nossa determinação”, reiterou Erdogan.

Também o Partido Democrático do Povo (HDP), partido pró-curdo da oposição, lamentou e condenou o atentado. “É importante sublinhar que nenhum destes terríveis acontecimentos vai conseguir destruir a fraternidade do nosso povo.”