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Trump está com medo e Rubio está a pedir aos apoiantes que votem num rival

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Trump está em rota para roubar a Marco Rubio os 99 delegados em disputa no estado pelo qual é senador

Joe Raedle

Líder da corrida à nomeação republicana cancelou mais um evento de campanha, marcado para esta segunda-feira na Florida, e seguiu para o Ohio. São os dois estados em formato 'winner-takes-all' dos cinco que vão a votos em primárias amanhã. Estão em disputa 367 delegados eleitorais entre os candidatos republicanos e 246 entre Hillary Clinton e Bernie Sanders do lado democrata

Dois cancelamentos de comícios de campanha em apenas três dias e um vídeo de um Donald Trump a saltar em sobressalto quando um manifestante tentou furar a barreira de seguranças que o protegia no palco. Depois de ter cancelado um evento em Chicago por causa de protestos contra a sua pré-candidatura à presidência dos Estados Unidos, o aspirante à nomeação do Partido Republicano anunciou no domingo que o discurso marcado para hoje à noite em Doral, na Florida, já não vai acontecer. Em vez disso, Trump vai até Yongstown, no Ohio.

Os dois estados vão a votos amanhã em modelo "winner-takes-all": o candidato que ficar em primeiro lugar num desses dois estados ou no estado livremente associado das Marianas Setentrionais, fica com todos os delegados em disputa — 99 na Florida, 66 no Ohio e 9 nas Marianas. Os 69 delegados em disputa no Illinois serão atribuídos, na sua maioria, ao candidato vencedor nesse estado. Os 72 da Carolina do Norte e os 52 do Missouri serão distribuídos de forma proporcional entre os mais votados amanhã.

Ao todo estão em jogo 367 deputados republicanos que irão representar o seu candidato na convenção nacional de julho. Para garantir a nomeação do partido, um candidato precisa de um mínimo de 1237 delegados. Neste momento, Trump lidera a contagem, com 460 delegados — se amanhã vencer na Florida e no Ohio, acumulará 625, consolidando a sua liderança incontestada da corrida republicana. Basta, contudo, que perca num desses dois estados para fazer soar os trompetes: o caos vai ficar oficialmente instalado no Partido Republicano.

Fuga para Ohio

O cancelamento do comício de Trump em Chicago foi um dos momentos inesquecíveis das Presidenciais 2016 nos Estados Unidos. Depois de semanas de denúncias de abusos cometidos por apoiantes do magnata populista e pelos seus seguranças e assessores contra manifestantes pacíficos e jornalistas, Trump viu na televisão os confrontos em marcha nas imediações da Universidade de Illinois, onde ia discursar, e decidiu cancelar a sua presença. Os manifestantes anti-Trump celebraram entoando em uníssono a canção "Alright" de Kendrick Lamar. E num raro momento na política norte-americana, todos os candidatos, dos democratas Hillary Clinton e Bernie Sanders aos rivais republicanos Ted Cruz, Marco Rubio e John Kasich, responsabilizaram Trump pelos elevados níveis de violência registados nos seus eventos de campanha. (Trump culpou os apoiantes de Sanders).

Poderia ter sido esta onda de protestos e confrontos a levá-lo a cancelar o comício desta segunda-feira na Florida, mas não foi o caso. Em vez disso, o anúncio da troca desse estado pelo Ohio coincidiu com a apresentação da última sondagem de intenções de votos para os cinco estados em disputa amanhã. De acordo com o inquérito da Marist, Trump tem a Florida no papo, prevendo-se que roube a Marco Rubio o seu estado-natal. É no Ohio que o cenário está negro, com John Kasich a surgir à frente do magnata e dos outros rivais da corrida à nomeação republicana.

A confirmarem-se as previsões, o cenário de uma 'brokered convention' — em que nenhum dos candidatos consegue obter o mínimo de 1237 delegados necessários para garantir a nomeação à partida — começa realmente a ganhar forma. A hipótese de um candidato Trump nas urnas em novembro assusta tanto o Partido Republicano que a equipa de Marco Rubio passou os últimos dias a pedir aos apoiantes do senador no Ohio que votem em Kasich.