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Putin ordena retirada das tropas russas do território sírio

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ALEXEY NIKOLSKY / SPUTNIK / KREMLIN POOL

Presidente russo considera que os principais objetivos foram atingidos e manda retirar tropas da Síria. Mais informa que Bashar al-Assad está de acordo

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou esta segunda-feira ao Ministério da Defesa para iniciar já manhã a retirada das forças russas da Síria.

A Presidência russa indicou, entretanto, que o chefe de Estado sírio, Bashar al-Assad, concordou com a decisão de Putin.

Desde de meados de setembro que a Rússia estava a retirar as forças armadas estacionadas em território sírio.A intervenção das forças aéreas russas na Síria teve início a 30 de setembro de 2015 e foi feita a pedido de Bashar al-Assad no âmbito da luta contra o terrorismo naquele país.

Fontes diplomáticas ocidentais disseram à “The Guardian” que será necessário esperar para ver o que é que este anúncio representa na medida em que Vladimir Putin fez anúncios semelhantes no passado que “deram em nada”.

“O trabalho dos nossos militares criou as condições necessárias para lançar o processo de paz”, afirmou esta segunda-feira Putin depois de ter estado reunido no Kremlin com os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros.

“Acredito que a missão atribuída ao ministro da Defesa da Rússia e às suas Forças Armadas foi globalmente cumprida. A intervenção dos militares russos permitiu às Forças Armadas da Síria e aos combatentes patrióticos alcançar uma inversão fundamental no combate ao terrorismo internacional a todos os níveis”, acrescentou o chefe de Estado russo.

Apelo britânico

Esta manhã o chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond, tinha apelado ao Presidente russo para que use a sua influência na Síria no sentido de garantir o fim das hostilidades e o cumprimento do cessar-fogo, negociado a nível internacional.

“Esperamos que Putin, que apoiou [o Presidente sírio] Bashar al-Assad com grandes quantidades de recursos militares e com um compromisso político, possa exercer controlo sobre Assad. Neste momento, não parece ter controlo sobre Assad”, afirmou, em Bruxelas, Philip Hammond, à chegada ao Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), onde será debatida a relação entre os 28 Estados-membros do bloco comunitário e Moscovo.

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, é necessário que os russos (parceiros tradicionais do regime de Damasco) assegurem que os sírios vão cumprir os compromissos assumidos por Moscovo no Grupo Internacional de Apoio à Síria, um grupo especial de acompanhamento internacional ao conflito naquele país copresidido pelos Estados Unidos e pela Rússia que negociou um cessar-fogo, em vigor formalmente desde o passado dia 26 de fevereiro.

“Vai ser complicado”

Foi precisamente nesse dia, horas antes da entrada em vigor de uma trégua, que Putin previu que o processo de paz na Síria, apesar de “complicado” seria a única maneira de resolver o conflito.

“Compreendemos plenamente e levamos em conta que isto vai ser um processo de reconciliação complicado e talvez até contraditório, mas não há outra maneira", disse Putin numa reunião com responsáveis dos serviços de informações cuja abertura foi transmitida pela televisão.

O presidente russo insistiu, no entanto, que com a trégua em vigor, a campanha de bombardeamentos contra o grupo extremista Estado Islâmico, a Frente Al-Nosra e outros "grupos terroristas" não vai abrandar.

“Quero sublinhar mais uma vez que o Estado Islâmico, a Frente al-Nosra e outros grupos terroristas designados como tal pelo Conselho de Segurança da ONU não estão incluídos” no acordo de cessar-fogo que entra em vigor às 00h00 locais de sábado (22h00 de sexta-feira em Lisboa) e se prolonga por duas semanas, disse.

“A luta decisiva contra eles vai indubitavelmente continuar”, acrescentou.

Dezassete dias depois anuncia a retirada da maior parte das forças russas mantendo-se apenas uma presença aérea no território sírio para supervisionar a aplicação do cessar-fogo.