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Missão europeia parte para Marte à descoberta de indícios de vida

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A ExoMars 2016 é a primeira missão de um programa da Agência Espacial Europeia (ESA) e da sua congénere russa Roscosmos

Rafael Silva

STEPHANE CORVAJA/EPA

O foguetão Proton-M partiu às 9h31 da manhã desta segunda-feira em direção a Marte. O lançamento foi efetuado no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, e decorreu sem incidentes. O foguetão foi lançado no âmbito da missão ExoMars 2016.

A missão resulta de um programa da Agência Espacial Europeia (ESA) e da russa Roscosmos e servirá para procurar gases na atmosfera de Marte que apontem para a existência de vida no planeta vermelho. A missão é dirigida pela agência europeia, mas foram os russos a fornecer o foguetão.

O Proton-M contém duas sondas espaciais: um satélite e um módulo de entrada, descida e aterragem. As sondas atingem a órbita de Marte a 16 de outubro deste ano. Nessa altura, o Trace Gas Orbiter (TGO) separa-se do módulo, que aterra na superfície do planeta três dias depois. O TGO irá detetar a presença de gases rarefeitos na atmosfera de Marte, com especial atenção ao metano, que pode provar a existência de vida no planeta. No entanto, este gás pode ser originado por fenómenos geológicos, pelo que o satélite irá também apurar a origem dos gases que captar.

O dispositivo que andará pela superfície do planeta, o Schiaparelli, vai testar a aterragem e fazer algumas experiências no solo, para preparar uma missão em 2018. Tanto o TGO como o Schiaparelli contêm tecnologia portuguesa. A aterragem em Marte é uma tarefa de difícil execução, que já deu muitos problemas à Rússia e à NASA.

Segunda missão em 2018

O ExoMars compreende uma segunda missão em 2018. Daqui a dois anos a tecnologia portuguesa também estará presente na arquitetura do primeiro aparelho robotizado europeu a andar na superfície do planeta, onde irá recolher e analisar amostras do subsolo que possam comprovar a existência de vida no passado ou no presente.

Esta é a segunda vez que a ESA, da qual Portugal é membro, envia um dispositivo para a órbita de Marte. Em 2007, a sonda Mars Express confirmou a existência de água perto do Polo Sul. As duas missões irão custar mais de mil milhões de euros mas, se forem encontrados indícios de vida, esta pode ser uma das maiores descobertas de sempre.

Os Estados Unidos, por seu lado, têm atualmente dois rovers em Marte, o Curiosity e o Opportunity. Os rovers são robôs motorizados capazes de explorar a superfície e o subsolo do planeta.