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Pelo menos 16 mortos em tiroteio na Costa do Marfim

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Seis homens estiveram envolvidos nos disparos na estância turística - “muito frequentada por portugueses - localizada a 40 quilómetros da capital do país, Abidjan. O ataque foi reivindicado pela organização terrorista Al-Qaeda no Magrebe Islâmico

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos 16 pessoas, incluindo quatro europeus e dois militares, morreram este domingo na sequência de um tiroteio na estância turística de Grand-Bassam, na Costa do Marfim, de acordo com o último balanço oficial.

Seis homens estiveram envolvidos nos disparos na estância turística - muito frequentada por turistas ocidentais - localizada a 40 quilómetros da capital do país, Abidjan. Segundo um comunicado do Governo, os atacantes foram já “neutralizados”. A organização terrorista Al-Qaeda no Magrebe Islâmico reivindicou ao final da tarde deste domingo a autoria dos atentados.

Segundo os media locais, os atacantes - “fortemente armados e usando máscaras de esqui” - entraram no hotel L'Etoile du Sud, tomando como reféns hóspedes e funcionários. Ao invadirem o hotel terão disparados vários tiros - causando a morte a 12 pessoas, segundo fonte policial - enquanto gritavam “Allahu akbar” (Alá é grande).

Segundo a France 24, que cita outra testemunha, várias pessoas ficaram feridas durante o tiroteio. “Vi sete pessoas mortas. Os atacantes eram quatro. Eu estava a nadar quando tudo começou e fugi logo”, contou Dramane Kima, testemunha, à Reuters.

“É uma notícia muito triste. Um horror”.

Em declarações ao Expresso após o atentado, Daniel Moura, um português de 35 anos que vive na Costa do Marfim desde março de 2015, referiu que tanto a estância turística de Grand-Bassam como outra estância, a dois quilómetros daquela (Assoyam Beach) são “muito frequentadas por portugueses”.

“Felizmente não estávamos lá”. Ele e a mulher vão quase todos os fins de semana à estância balnear de Assoyam Beach. A probabilidade de estarem lá este domingo era enorme, não fosse o parto da mulher tê-los feito viajar até Lisboa. “É uma notícia muito triste. Um horror”.

Daniel, que trabalha numa empresa portuguesa de consultoria que desenvolve negócios na Costa do Marfim, diz que já falou com vários colegas de trabalho portugueses que se encontram no país - entre residentes e colegas que estão de viagem - e que todos eles se encontram bem.

Este ataque ocorre quase dois meses depois de um atentado reivindicado pela Al-Qaeda em Ouagadougou, no vizinho Burkina Faso, que resultou na morte de 29 pessoas. As preocupações em relação ao alastramento da violência jiadista na África Ocidental são cada vez maiores.

Daniel diz que tem ouvido relatos de “movimentos de militares nas ruas com suspeitas de atentados à bomba” na capital, Abidjan, onde ele vive. Embora o país “seja estável em termos políticos”, os ataques terroristas são temidos e vão acontecendo. “Nos últimos oito meses, tem sido comum haver boatos nas redes sociais sobre possíveis incursões de militantes para eventuais ataques terroristas”.

Daniel diz que esses receios se refletem nas ruas, onde o controlo e vigilância são cada vez mais apertados. “Vemos barreiras policiais, a polícia controla veículos e passageiros”. Apesar disso, não se pode dizer que o “clima seja de medo e que se esteja a assistir a uma mudança radical de hábitos, como sei, por alguns amigos, que aconteceu em Paris”, depois do ataque terrorista contra a sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, e depois dos atentados de 13 de novembro em Paris.

[NOTÍCIA ATUALIZADA ÀS 20H]