Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Extrema-direita obtém resultados inéditos na Alemanha

  • 333

MICHAELA REHLE

Sondagens à boca das urnas apontam para um mau resultado da CDU de Merkel em dois dos três estados que foram a votos. O partido nacionalista e anti-imigração Alternativa para a Alemanha deverá ser um dos grandes vencedores das eleições regionais deste domingo

Helena Bento

Jornalista

Tal como se previa, o partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AfD), que nasceu há três anos, obteve resultados inéditos nas eleições regionais deste domingo na Alemanha. Sondagens à boca das urnas apontam para uma derrota do partido conservador de Angela Merkel em dois dos três estados federais que foram a votos. A chanceler alemã, que nos últimos meses foi várias vezes encostada à parede por causa das suas políticas de acolhimento de refugiados, tem agora a confirmação de que lhe espera um longo e difícil trabalho até às eleições federais de 2017.

No estado federado da Saxónia-Anhalt, no leste do país, a AfD, partido nacionalista e anti-imigração, poderá ter obtido 22,8% dos votos, atrás da CDU de Merkel - que deverá continuar a ser o partido mais votado - e à frente dos sociais-democratas do SPD. É a primeira vez que o partido de extrema-direita fica em segundo lugar numas eleições regionais. Em Baden-Württemberg, antigo domínio indisputado dos conservadores, e na Renânia-Palatinadom, a AfD poderá ter obtido mais de 10% dos votos. É também nestes dois estados que a CDU obteve os piores resultados. No primeiro, deverá ser ultrapassada pelos Verdes (27,5 % contra 32,55%), e no segundo pelos sociais-democratas do SPD, que deverão obter 37,5% dos votos, segundo as estimativas divulgadas pelas cadeias televisivas públicas ARD e ZDF.

A extrema-direita surge assim como a grande vencedora do escrutínio, ao ter superado a barreira necessária dos 5% dos votos que lhe garante a entrada nos parlamentos dos três estados que foram a votos este domingo. A 18 meses das eleições legislativas, antecedidas por outros escrutínios regionais, a AfD passa assim a estar representada em oito das 16 regiões do país.

Vários analistas políticos interpretam os resultados como uma penalização para os dois grandes partidos que dominam a vida política alemã há 70 anos - a CDU de Merkel e o Partido Social-Democrata Alemão (SPD) - face às suas políticas de abertura aos refugiados.