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Negociações sobre Síria. Damasco não aceita afastamento de Assad

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OMAR SANADIKI/REUTERS

Ministro dos Negócios Estrangeiros sírio referiu que o Presidente sírio Bashar al-Assad é uma “linha vermelha, uma prerrogativa do povo sírio”. Negociações entre Governo e oposição têm início na próxima semana

Helena Bento

Jornalista

O ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid al-Moallem, disse que as negociações em Genebra vão falhar se a oposição, no decorrer das negociações, colocar em causa a permanência do Presidente sírio Bashar al-Assad no Governo de transição da Síria.

“Não vamos dialogar com quem quer que seja sobre a presidência da Síria. Bashar [al-Assad] é uma linha vermelha, uma prerrogativa do povo sírio”, afirmou este sábado o ministro sírio, durante uma conferência de imprensa em Damasco. “Se for essa a vontade da oposição, então aconselho-a a nem sequer participar nas negociações. Essas ilusões têm de ser abandonadas”, disse o ministro, citado pelo britânico “Guardian”.

A oposição síria reagiu com desagrado a estas declarações, acusando Walid al-Moallem de querer minar as negociações ainda antes de elas terem início. Monzer Makhous, porta-voz do grupo de opositores que representa várias fações anti-Assad, disse que a oposição “apenas aceitará a formação de um governo de transição” dentro de seis meses. As crispações entre Damasco e a oposição parecem não ter fim e a esperança de um entendimento entre ambas as partes, de si já tão frágil, é cada vez mais uma miragem.

O ministro sírio Walid al-Moallem aproveitou também o momento para descredibilizar as afirmações de Staffan de Mistura na sexta-feira, que afirmou que as Nações Unidas vão organizar eleições presidenciais e legislativas na Síria no prazo de 18 meses, a partir de segunda-feira. “Nem ele nem ninguém tem o direito de falar sobre eleições presidenciais. Este é um direito exclusivo do povo sírio”.

Walid al-Moallem afirmou ainda que o enviado especial da ONU para a Síria “não tem direito de impor uma agenda” e acrescentou que as negociações devem esforçar-se no sentido da formação de um governo de unidade que deve, mais tarde, formar um comité com capacidade de elaborar uma nova constituição ou proceder à revisão da atual. “Nessa altura, devemos organizar um referendo para que os sírios possam decidir”.

Dirigentes da oposição chegaram a Genebra para contactos com o Governo

Segundo a Lusa, os dois dirigentes da delegação da oposição síria chegaram este sábado a Genebra. A agência refere que o negociador chefe da oposição síria e líder rebelde salafista, Mohammed Allouche, e o presidente da delegação, Assad al-Zoabi, foram vistos pelos jornalistas a entrar num hotel da cidade suíça. De acordo com a agência France Presse, outros representantes da oposição da Síria, como Hassan Abel Azim, já chegaram também a Genebra.

A ronda de negociações, mediada pelas Nações Unidas, vai começar na semana que marca o quinto ano da guerra da Síria - um conflito que já fez entre 250 mil e 470 mil mortos, de acordo com os números da ONU e do Centro de Investigação de Políticas da Síria.