Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Temer os refugiados e migrantes “não é racismo”

  • 333

Chris Ratcliffe

A declaração é do arcebispo de Canterbury, a mais alta figura da Igreja de Inglaterra, em entrevista à revista oficial do Parlamento britânico

As pessoas têm direito a temer o impacto nas suas comunidades do enorme fluxo migratório, o maior na Europa desde a II Guerra Mundial, e é "absolutamente ultrajante" que sejam condenadas por isso e acusadas de racismo.

As declarações foram proferidas pelo Arcebispo de Canterbury Justin Welby, a mais alta figura da Igreja de Inglaterra (Igreja Anglicana), numa entrevista à revista do Parlamento britânico "The House". As ansiedades provocadas pela crise dos refugiados nos europeus, e em particular nos britânicos, são totalmente razoáveis, defendeu à publicação.

"O medo é uma emoção válida perante uma crise tão colossal. Este é um dos maiores movimentos de pessoas da história humana. Simplesmente enorme. E estar ansioso sobre isso é totalmente razoável. Há uma tendência para dizer 'Estas pessoas são racistas', o que é simplesmente ultrajante, absolutamente ultrajante."

Para o primeiro da hierarquia da comunhão anglicana, é da máxima importância que o "medo genuíno" da população seja ouvido e respondido. "Em comunidades frágeis em particular — e eu trabalhei em várias enquanto clérigo — existe um medo genuíno: o que vai acontecer no sector da habitação? O que vai acontecer com o emprego? O que vai acontecer com o acesso a cuidados de saúde?"

Na mesma entrevista, Welby declarou que o Reino Unido tem de fazer a sua parte para ajudar a dar respostas à crise humanitária. "Um problema desta escala só pode ser gerido através de uma resposta igualmente de larga escala em toda a Europa e nós temos de cumprir a nossa parte."