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Parlamento não é lugar para “burros, nem para mulheres”, diz deputado iraniano

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Imagem do Parlamento iraniano

ATTA KENARE/GETTY IMAGES

Entusiasmado com a sua reeleição, Nader Qazipour discursou e partilhou a sua visão sobre quem deve representar politicamente o Irão. Depois do que ouviram dizer, muitos iranianos acham que o Parlamento também não é lugar para ele

O desabafo saiu-lhe com naturalidade e só as repercussões o fizeram dar um passo atrás, pouco convincente. A saber: para o deputado iraniano ultraconservador Nader Qazipour, o Parlamento não é lugar “para burros, nem para mulheres”. Disse-o alto, em turco (a língua da sua região) e a bom som durante um discurso público, entusiasmado com a sua própria reeleição a 26 de fevereiro como deputado.

O comentário está registado no Youtube e desde que a frase - que é mais completa - foi proferida, apareceu reproduzida milhares de vezes no Irão, na maior parte das vezes para ser criticada pelo seu teor machista, que enfureceu ativistas e grande parte da opinião pública, que se apressaram a pedir a demissão de Qazipour.

Na sua versão completa, a afirmação do iraniano alarga as categorias de deputados a dispensar: “O Parlamento não é lugar para burros, poldros, macacos e mulheres”. Algo grave o suficiente para os reformistas, seus rivais políticos, chamarem ao caso ‘Nader-gate’, considerando inadmissível que a opinião expressa fique sem consequências.

Nader Qazipour já se arrependeu. “Deixei-me levar pelo júbilo da reeleição entre os meus seguidores. Foi um erro. Quero manifestar o meu pesar e espero que o malentendido se esclareça rapidamente”, afirmou.

O deputado está longe de ser o único no país a olhar de cima para as mulheres. No orgão onde tem lugar marcado, e que conta com 290 representantes, apenas 14 são mulheres, ainda ssim mais cinco que na legislatura anterior.