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Lula rejeita cargo no governo. Defesa fala em “perseguição política”

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NELSON ALMEIDA/GETTY

Antigo Presidente brasileiro diz que “não pode fugir da polícia” e recusa para já a manobra política do Executivo de Dilma Rousseff

Quase uma semana depois de Lula da Silva ter sido detido para depor no âmbito da Operação Lava Jato – que investiga um alegado esquema de corrupção envolvendo a Petrobras –, o Ministério Público de São Paulo solicitou a prisão preventiva do ex-Presidente brasileiro. A hipótese de o fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) poder assumir um cargo no governo foi recusada por Lula, assim que soube da notícia esta quinta-feira, avança o jornal “Globo”.

O pedido efetuado por três procuradores do Ministério Público daquele estado brasileiro prende-se com a compra de um apartamento tríplex de luxo no Guarujá, situado no litoral paulista, não tendo qualquer relação com a Operação Lava Jato. A habitação encontra-se registada em nome da construtora OAS, mas o Ministério Público acredita que pertence a Lula da Silva, acusando o antigo governante de lavagem de dinheiro e ocultação de património.

Se a magistrada da 4ª Vara Criminal do Tribunal de São Paulo não decretar a prisão preventiva do ex-Chefe de Estado brasileiro, o Ministério Público de São Paulo pede que Lula fique no mínimo impedido de sair do país - ficando com o passaporte apreendido -, e de manter contacto com “vítimas” do processo, escreve o “Estado de São Paulo”.

As mesmas medidas de coação são solicitadas para os restantes 15 acusados do processo, incluindo a mulher de Lula, Marisa Letícia, e um dos filhos, Fábio Luís Lula da Silva.

Protesto deverá juntar um milhão em São Paulo

A defesa de Lula alega que está em causa uma “perseguição política” contra o antigo governante brasileiro, sublinhando que é especialmente grave pelo facto de a acusação do MP ter ocorrido a quatro dias de uma manifestação a favor da destituição da Presidente Dilma Rousseff, que irá acontecer na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, é esperado que um milhão de pessoas se junte só nessa avenida.

O protesto deverá realizar-se simultaneamente em mais 22 estados brasileiros: vários movimentos estão a convocar a população através das redes sociais para sairem à rua no próximo domingo.

Aperta-se assim o cerco ao PT e à Chefe de Estado brasileira, cujo índice de popularidade não parava de descer nos últimos meses face à crise económica e política e aos escândalos de corrupção - como o Mensalão.

Governo recebe 'não' de Lula

Uma das estratégias de Dilma era integrar Lula no governo. O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e o ministro da Secretária do Governo, Ricardo Berzoini, chegaram a colocar os seus lugares à disposição com vista a melhorar a imagem do Executivo perante a opinião pública, demonstrando que Lula era inocente. No entanto, o antigo Presidente brasileiro recusou para já juntar-se à equipa governativa, sublinhando que “não pode fugir da polícia”.

Na passada sexta-feira, Lula da Silva foi alvo de um mandado de condução coerciva, que o obrigou a depor no âmbito da Operação Lava Jato, sendo apontado como “um dos principais beneficiários” dos crimes relacionados com a petrolídera estatal. O Ministério Público disse existirem “fortes evidências” contra o antigo líder do PT.

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