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Casa Branca tenta gerir danos colaterais de entrevista de Obama no Reino Unido

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Depois de o Presidente dos EUA criticar os governos francês e britânico por causa da intervenção militar na Líbia há cinco anos, Casa Branca garante à BBC que os Estados Unidos "valorizam profundamente" as contribuições britânicas

Numa entrevista à revista "The Atlantic" publicada na quinta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, critica o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o ex-Presidente francês Nicolas Sarkozy por causa da intervenção militar na Líbia em 2011, liderada pelo Reino Unido e por França, que mergulhou o país "no caos" após derrubar o regime de Muammar Kadhafi.

Assim que a revista chegou às bancas, a Casa Branca iniciou esforços de controlo de danos colaterais, enviando um email à BBC onde garante valorizar "profundamente" as contribuições do governo britânico ainda em funções. Downing Street sublinhou, por sua vez, que continua a "trabalhar duramente" na Líbia.

É pouco provável que as declarações de Obama, que se prepara para abandonar a presidência dos EUA ao final do seu segundo mandato consecutivo, gerem alta tensão nas relações com o aliado. Mas, aponta o editor do canal britânico para a América do Norte, o facto de a Casa Branca se ter sentido obrigada a enviar um comunicado mostra que o governo conservador de Cameron ficou irritado.

"É como ver uma cortina ser levantada para deixar à vista as opiniões mais claras do Presidente Obama, incluindo a sua frustração, e o que vemos agora é a Casa Branca a tentar baixar essa cortina o mais rápido possível", escreve Jon Sopel.

No documento em questão, o gabinete de Obama garante que "o primeiro-ministro Cameron tem sido um parceiro próximo e valorizamos profundamente as contribuições do Reino Unido para os nossos objetivos conjuntos de segurança nacional e políticas externas, que refletem a nossa relação especial e essencial. No que diz respeito à Líbia, o Presidente mantém desde sempre que todos nós — incluindo os Estados Unidos — podíamos ter feito mais no rescaldo da intervenção na Líbia".

Desde a campanha de bombardeamentos ao país do Norte de África há cinco anos, a Líbia vive mergulhada em lutas entre fações internas, um caos que tem tornado inevitável a instalação de grupos terroristas como o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) — contra os quais os Estados Unidos e seus aliados têm levado a cabo bombardeamentos naquele território.

No final do mês passado, as Nações Unidas avisaram que os líbios estão a ser alvo de graves violações e crimes de guerra cometidos por todas as partes envolvidas no conflito pós-Primavera Árabe. Um dia antes desse alerta, o "Le Monde" avançou que França está a conduzir operações secretas na Líbia para impedir os avanços e enraizamento do Daesh no país em ruínas.