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Antes do ‘vai ou racha’ na Flórida, Marco Rubio tenta renascer das cinzas

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RHONA WISE

Debate desta madrugada entre os candidatos que disputam a nomeação republicana foi menos explosivo do que os anteriores, de tal forma que Donald Trump, o mais incendiário de todos os aspirantes, comentou a dada altura: “Nem acredito no quão civilizado isto está a ser até agora”

Marco Rubio diz que não vai voltar aos ataques indiscriminados a Donald Trump, garantindo à saída do debate republicano de quinta-feira à noite (esta madrugada em Portugal), que não pretende "regressar mais a essa sarjeta" porque tal põe-no em conflito com a sua fé e as expectativas da sua família.

O senador estava em casa, no estado da Flórida que o fez político, e tentou dar tudo por tudo no último braço-de-ferro entre os aspirantes a candidato presidencial republicano antes das primárias da próxima terça-feira — quando os candidatos se batem por 367 delegados eleitorais em cinco estados norte-americanos e no estado livremente associado das Marianas Setentrionais.

Dizem muitos analistas que a enorme derrota que sofreu esta semana (mais uma), em que foi empurrado por John Kasich para quarto lugar no Michigan e no Mississippi, poderá ter sido o último prego no caixão da sua candidatura. Mas só as votações da próxima semana é que irão ditar ou não o fim do "candidato do sistema" que muitos republicanos têm tentado carregar ao colo para impedir a nomeação de Trump ou do senador Ted Cruz.

Galvanizado pelo forte apoio no seu estado-natal da Flórida — um dos mais importantes estados a ir a votos na terça-feira, por representar 99 delegados eleitorais que vão diretos para o candidato que ficar em primeiro lugar — Rubio trocou a recorrente estratégia de atacar Donald Trump por um regresso à "mensagem otimista que energizou dadores e apoiantes desde o primeiro momento", aponta a CNN, que transmitiu o debate desta madrugada.

A forma que encontrou para se fazer valer acima dos outros candidatos foi demonstrar que está de facto acima deles no que toca a conhecimentos de política externa, fazendo uso disso para o seu único ataque da noite contra Trump — desta feita por causa das novas declarações do magnata, que na quarta-feira disse em entrevista ao mesmo canal que "o Islão odeia a América".

"Os Presidentes não podem simplesmente dizer aquilo que querem", declarou o senador da Flórida sob fortes aplausos. "O que dizem tem consequências em todo o mundo." Trump manteve a sua, sublinhando que não está "interessado em ser politicamente correto mas em ser correto". Diretamente questionado pelo moderador sobre se se referia aos 1600 milhões de muçulmanos espalhados pelo mundo, Trump respondeu: "Referia-me à maioria deles."

Mais aplausos receberia Rubio logo a seguir quando criticou a retomada das relações com Cuba pela administração Obama — um tema que também dominou o debate democrata desta semana entre Hillary Clinton e Bernie Sanders. "Aqui está um bom acordo: Cuba leva a cabo eleições livres, Cuba pára de prender pessoas por dizerem o que pensam, Cuba instala liberdade de imprensa e aí poderemos ter uma relação com Cuba. É um bom acordo."

Depois de, no último debate, o dito "politicamente correto" ter voado pela janela, com os candidatos republicanos a chegarem ao ponto de discutirem literalmente o tamanho dos seus membros masculinos, a noite de quinta-feira ficou marcada pela sobriedade. De tal forma que foi o próprio Trump (na maioria das vezes o epicentro da descida de nível) quem a meio da discussão entre os quatro republicanos notou para gáudio dos presentes: "Nem acredito no quão civilizado isto está a ser até agora."

Kasich, que conseguiu finalmente entrar no pódio da corrida republicana esta semana, manteve o seu número rotineiro de se perfilar como o mais adulto e sério dos candidatos. E Ted Cruz o seu número rotineiro de se perfilar como o único rival capaz de destronar uma candidatura de Trump — voltando a declarar que a possibilidade de a corrida republicana só vir a ser resolvida numa "brokered convention" é uma ideia "disparatada".

Neste momento, o multimilionário Trump continua a liderar a contagem de delegados eleitorais, acumulando 458, contra os 359 de Cruz, os 151 de Marco Rubio e 54 de Kasich. Na próxima terça-feira, as contas voltam a ficar baralhadas (ou não) quando os habitantes da Flórida, do Illinois, do Missouri, da Carolina do Norte e do Ohio — o estado governado por Kasich — vão às urnas em processo de primárias escolher quem querem que dispute a Casa Branca em novembro, a par da população das Marianas Setentrionais, onde estão em disputa nove delegados eleitorais.

Nesse território da Commonwealth, tal como na Flórida e no Ohio, os delegados eleitorais serão atribuídos ao primeiro classificado nas votações, ao contrário da maioria dos restantes estados, onde os delegados são distribuídos proporcionalmente. Para garantir a nomeação do Partido Republicano, um candidato precisa de um mínimo de 1237 delegados a representá-lo na Convenção Nacional do partido, marcada para julho.