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Um elefante conseguiu regressar à Somália pela primeira vez em 20 anos

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GORAN TOMASEVIC / Reuters

Durante os dias permaneceu escondido na floresta, deslocando-se apenas à noite. Percorreu centenas de quilómetros, do Quénia até à Somália. Os ambientalistas ficaram radiantes com o comportamento do elefante, convictos de que o animal ainda se lembra das rotas ancestrais que deixaram de ser percorridas há décadas devido à guerra civil

Apesar das adversidades como a guerra e da perseguição de que tem sido alvo por parte de caçadores furtivos, a célebre memória de elefante permite que estes animais sejam capazes de regressar a territórios que haviam abandonado há décadas.

Esta é pelo menos a convicção dos ambientalistas, que esta quarta-feira anunciaram que um elefante percorreu centenas de quilómetros até ter entrado brevemente em território da Somália este mês. É a primeira vez que há a indicação de um elefante ter estado na Somália após o início da guerra civil há vinte anos.

“Ele tinha obviamente algo em mente quanto à direção que estava a seguir”, afirmou Douglas-Hamilton da organização Salvem os Elefantes, citado pela Agência France Presse.

Os ambientalistas estão convictos de que, décadas após o fim da guerra, o elefante ainda se lembra das rotas ancestrais.

Um localizador fora colocado no elefante em dezembro, quando se encontrava numa zona costeira do Quénia, o que permitiu acompanhar a rota que seguiu tivesse sido acompanhada.

Ao longo de mais de duas semanas, Morgan, o elefante macho na casa dos 30 anos, percorreu centenas de quilómetros, deslocando-se apenas durante a noite e permanecendo escondido na floresta durante o dia. “Ele adotou uma estratégia radical de sobrevivência para fazer face a um dos locais mais perigosos para os elefantes em África”, comentou Douglas-Hamilton.

Por outro lado, a viagem de Morgan sugere que a fronteira entre o Quénia e a Somália está a tornar-se menos perigosa e que caso a segurança regresse ao sul da Somália os elefantes exilados também podem retornar, considerou o ambientalista.

O quilograma de marfim é vendido por mil euros na China, o que continua a tornar os elefantes um alvo dos caçadores furtivos. Pelo menos 20 mil elefantes foram mortos no ano passado, segundo os números divulgados este mês na Convenção sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas.