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Procuradores querem Lula em prisão preventiva

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RICARDO MORAES / REUTERS

Três procuradores do Ministério Público do Estado de São Paulo, Brasil, requereram a prisão preventiva do ex-presidente Lula da Silva para garantir “a ordem pública, a instrução do processo e a aplicação da lei penal”

Os promotores do Estado de São Paulo Cassio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araújo pediram a prisão preventiva do ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva relacionada com a denúncia que apresentaram sobre crimes cometidos na aquisição de um apartamento tríplex no Guarujá, litoral daquele Estado.

Segundo informações divulgadas esta quinta-feira pelos jornais "Folha de São Paulo" e "O Estado de São Paulo", Lula é acusado de ter praticado os crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, porque ele supostamente ocultou a propriedade do triplex.

Além do político, a sua mulher, Marisa Letícia, um dos filhos, Fábio Luís Lula da Silva e outras 13 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público, num inquérito que corre em São Paulo, sem relação direta com a Operação Lava Jato.

Agora, a juíza Maria Priscila Veiga Oliveira, de São Paulo, decidirá se o ex-Presidente será considerado réu face à denúncia dos promotores.

Esta não é a primeira suspeita de crime que relaciona a propriedade do apartamento de luxo no litoral paulista com o político. O imóvel também está a ser investigado pela Operação Lava Jato, que apura as denúncias de corrupção na petrolífera brasileira Petrobras.

No passado dia 4, o Ministério Público Federal publicou uma nota afirmando que há evidências de que o ex-Presidente recebeu, em 2014, pelo menos um milhão de reais (247 mil euros) sem aparente justificação económica lícita da construtora OAS, através de obras no apartamento de Guarujá.

"Há evidências de que o ex-Presidente Lula recebeu valores oriundos do esquema Petrobras por meio da destinação e reforma de um apartamento triplex", destacou a nota.

Lula reagiu com "tranquilidade"

O Partido dos Trabalhadores (PT), no poder no Brasil, já considerou que o pedido de prisão preventiva de Lula da Silva carece de "fundamento" e é apenas um "evento mediático".

O pedido de prisão preventiva apresentado pela Procuradoria-geral de São Paulo "vai de encontro ao que tem sido feito pelo procurador e seus aliados, sem provas, contra Lula", afirmou aos jornalistas o presidente do PT, Rui Falcão, depois de uma reunião no Instituto Lula em que participou o antigo chefe de Estado.

Rui Falcão qualificou a solicitação da Procuradoria de "pedido desbocado", de "ignomínia" e de atentado ao "sentido comum" e disse acreditar que a Justiça "não acatará o pedido", que se baseia em alegados crimes de branqueamento de campitais e falsificação de documentos num processo de corrupção paralelo à investigação das irregularidades da Petrobras.

Lula da Silva foi informado do pedido de prisão preventiva pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto, e reagiu com "tranquilidade", segundo o líder do PT no Senado, Humberto Costa.

Rui Falcão também reconheceu que Lula "deve estar a pensar" se aceita um cargo ministerial, mas ainda não decidiu até ao momento.

O líder do PT insistiu que o procurador responsável pelo caso "não tem imparcialidade" porque "antes de ouvir qualquer pessoa disse a uma revista que ia denunciar o ex-Presidente".

Rui Falcão realçou também que a reunião no Instituto Lula "não foi de emergência", mas que já estava programada há dias com os sindicatos e militantes do partido para discutir a reforma do regime de jubilações e a agenda económica do Governo.

No entanto, como admitiu o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, a agenda "complica-se com o atual cenário político".
O PT confirmou mobilizações em defesa de Lula em todo o país para os dias 18 e 31 de março e fez um apelo para que os militantes não vão para as ruas no próximo domingo, quando os partidos da oposição têm marcada uma jornada de protesto contra o Governo.