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Cuba e imigração dominam debate tenso entre Clinton e Sanders

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Joe Raedle

Os rivais democratas voltaram a bater-se numa nova guerra de palavras na CNN, depois de o senador pelo Vermont ter alcançado uma vitória inesperada no Michigan e a poucos dias da próxima grande etapa das primárias do partido

Hillary Clinton e Bernie Sanders voltaram a encontrar-se para um novo e tenso debate na noite desta quarta-feira, madrugada de quinta em Portugal, horas depois de o senador pelo Vermont ter surpreendido com uma vitória inesperada no Michigan nas primárias democratas de terça-feira.

A menos de uma semana da próxima grande etapa da corrida à nomeação do partido, que decorre na próxima terça-feira, os dois candidatos subiram a parada em mais um esforço para convencerem o eleitorado a votar neles — numa altura em que, apesar da derrota no coração da cintura industrial norte-americana, a ex-secretária de Estado continua a liderar a contagem de delegados eleitorais.

O debate foi transmitido pela CNN e teve lugar em Miami, uma das principais cidades da Florida, onde na próxima semana Sanders e Clinton se batem nas urnas pelos 246 delegados em disputa. A par da Florida, os democratas vão a votos nesse dia nos estados do Illinois (182 delegados a concurso), Missouri (84), na Carolina do Norte (121) e no Ohio (159). É quase uma nova Superterça-feira com um total de 792 delegados em jogo, um dia que, depois da vitória de Sanders no Michigan, poderá trazer mais surpresas à corrida democrata.

Por estarem em Miami, um dos principais temas em debate foram as relações EUA-Cuba, numa altura em que Barack Obama se prepara para fazer a sua primeira visita oficial à ilha desde a retoma de relações em dezembro depois de décadas de divórcio — a primeira viagem de qualquer Presidente dos EUA em funções ao estado comunista desde 1928. O estado da Florida, e em particular a cidade de Miami, albergam a maior comunidade de americanos-cubanos dos Estados Unidos, concentrando 70% das segundas e terceiras gerações de imigrantes cubanos a viver no país.

As diferenças entre os dois candidatos sobre o assunto foram notórias. "Seria errado não declarar que em Cuba foram alcançados alguns bons progressos no sistema de saúde", declarou Sanders quando confrontado com um vídeo de 1985, em que aplaudia o regime sandinista na Nicarágua e em que referia que as pessoas se esquecem que Fidel Castro "transformou totalmente a sociedade" cubana, garantindo "formação às crianças e um bom sistema nacional de saúde".

"Cuba está a enviar médicos para todo o mundo", defendeu o senador pelo Vermont. "Fizeram bons progressos na educação. Penso que restaurar totalmente os laços diplomáticos com Cuba vai trazer melhorias significativas para as vidas dos cubanos e ajudar os EUA e os investimentos da nossa comunidade empresarial."

Clinton arriscou muitos apoios no estado ao discordar do rival — condenando "os valores de opressão ao povo, desaparecimentos, prisões e homicídios dos que expressam as suas opiniões, por causa da sua liberdade de expressão". "Esse não é o tipo de revolução de valores que algum dia queira ver onde quer que seja", sublinhou.

Sobre a reforma da imigração, os dois candidatos distanciaram-se da postura oficial da Casa Branca, prometendo que não vão deportar crianças ou imigrantes sem documentos sem cadastro criminal. A proximidade de Clinton a Wall Street e os seus emails privados — em particular os referentes ao caso Benghazi — também tiveram protagonismo na discussão.

O momento estranho da noite aconteceu quando os dois candidatos foram questionados sobre se consideram Donald Trump racista por causa das suas promessas de campanha antimexicanos e antimuçulmanos. Nenhum deu uma resposta direta à pergunta, escusando-se a falar especificamente sobre o incendiário líder da corrida à nomeação republicana e referindo apenas que atacar minorias é "o contrário de ser americano" (palavras de Hillary).