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Afastada da presidência da Birmânia, Suu Kyi propõe ex-motorista para o cargo

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Htin Kyaw esteve ao lado da amiga de longa data e histórica opositora ao regime ditatorial militar durante décadas

SOE THAN WIN

Tem 70 anos, estudou em Oxford com Suu Kyi e nunca a abandonou. Esperava-a à saída de casa quando a Nobel da Paz foi libertada em 2010, depois de mais de 15 anos em prisão domiciliária. Agora que a Liga Nacional para a Democracia alcançou a maioria no parlamento, deverá ser o próximo Presidente da Birmânia

O partido de Aung San Suu Kyi propôs esta quinta-feira para o cargo de Presidente da Birmânia o seu ex-motorista, professor universitário e companheiro de luta de longa data.

“Em nome da Liga Nacional para a Democracia [LND] quero propor U Htin Kyaw”, declarou no parlamento Khin San Hlaing, deputado do partido da Nobel da Paz que venceu com maioria as primeiras eleições livres da Birmânia em 25 anos.

O nome foi apresentado pelos membros da LND eleitos para a câmara baixa do Congresso birmanês, com os deputados do partido na câmara alta a nomearem para o mesmo cargo Henry Van Thio, um outro membro do parlamento que pertence à minoria étnica Chin.

Ao longo dos próximos dias, as duas câmaras vão ditar qual dos candidatos querem ver na presidência, escolhendo entre os dois que foram apresentados pela LND e os candidatos que os outros partidos propuserem — incluindo o candidato nomeado pelo exército, que governou o país durante décadas e que continua a ocupar 25% do parlamento birmanês (por nomeação direta e não eleição).

Uma segunda votação, disputada entre o candidato escolhido pela câmara baixa, o da câmara alta e o do exército, definirá dias depois quem é o próximo Presidente da Birmânia, com os outros dois a ocuparem a vice-presidência do país.

Um homem que "sabe seguir ordens"

Chegou a julgar-se que Suu Kyi poderia, afinal, ser proposta para a presidência do país pelo seu partido, mas na semana passada a notícia de que o início da votação do novo líder birmanês tinha sido antecipada uma semana deu a entender que as negociações entre a histórica líder da oposição e os militares não deram bons frutos.

A alínea 59F, acrescentada à Constituição pelos militares, continua em vigor e impede que qualquer birmanês com filhos de outras nacionalidades sejam candidatos válidos à presidência — é o caso da Nobel da Paz, cujos filhos têm passaportes britânicos.

Ainda antes das eleições de novembro, que deram uma vitória estrondosa à LND, Suu Kyi tinha garantido que, se o seu partido vencesse com maioria, iria estar "acima" do Presidente. O correspondente da BBC em Naypyidaw, Jonah Fisher, nota que a característica mais importante de Htin Kyaw é "a capacidade de seguir ordens", o que denota que a líder da Liga pretende mesmo ditar o destino do país a partir dos bastidores.

Amigo de longa data de Suu Kyi, que esteve ao seu lado quando a Nobel da Paz foi libertada em 2010 depois de mais 15 anos em prisão domiciliária, Kyaw estudou em Oxford com ela, tendo sempre integrado a LND e tendo trabalhado como seu motorista depois de a filha do fundador da Birmânia moderna ter sido libertada. Pelo facto de os resultados eleitorais terem dado maioria à LND nas duas câmaras parlamentares, é provável que seja ele, aos 70 anos de idade, o próximo Presidente da Birmânia.