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“Pensei que tinha o Daesh na barriga e que o meu bebé ia ser tão criminoso como eles”

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É uma mulher sem nome, como tantas que são capturadas, espancadas e violadas às mãos do Daesh. Contou a sua história à BBC de cara escondida, porque ela fugiu mas tem duas irmãs que continuam reféns do terror

Ela tinha apenas 15 anos quando tudo aconteceu. "Ela" só pode ser "ela" porque tem duas irmãs que continuam reféns do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), e se a sua identidade for revelada a segurança delas pode ficar comprometida. Por isso, a BBC relata esta história de terror sem lhe dar um nome ou uma cara - dela sabemos apenas aquilo por que passou, e é muito.

Esta menina, ou esta mulher, pertence à minoria religiosa yazidi, que tem sido perseguida na Síria e no Iraque pelos militantes do Daesh. Foram eles que um dia, quando contava 15 anos, a capturaram, espancaram e violaram juntamente com outras familiares. Depois, foi escolhida por um iraquiano de 25 anos para ser a sua escrava sexual: o homem maltratou-a durante um mês e meio, altura em que partiu para combater na Síria e lá acabou por morrer.

"Ele era como um monstro sem qualquer humanidade", diz ela. Quando tudo parecia ter acabado, a segunda parte do pesadelo começou: conseguiu fugiu, mas foi capturada e vendida pela família do homem a quem supostamente pertencia a outro homem, irmão de um combatente do Daesh, por 800 dólares (725 euros). "Não tive escolha", recorda.

Pouco tempo depois engravidou. Tentou abortar com recurso a vários métodos: "Achava que tinha o Daesh na barriga e que o meu bebé ia ser um criminoso como eles". Amou-o quando nasceu, mas partiu sem ele, três meses depois, recusando casar com o homem que a engravidou. Conseguiu, finalmente, fugir: "Eu amava o bebé, mas queria voltar para junto da minha família antes de que nos afeiçoássemos um ao outro. Ainda penso nele. É uma parte de mim".

Ela está finalmente a salvo, mas há outras duas "elas", suas irmãs, que continuam presas pelos combatentes do Daesh. Para elas e tantas outras mulheres, o pesadelo ainda não acabou.

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