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“Não consegui salvá-las. Penso nelas todos os dias”

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Esta é a história de Rami, um tatuador iraniano que celebrou o 21º aniversário num campo de refugiados em Lesbos, Grécia

"Estávamos tão felizes quando demos os primeiros passos na Europa." Um campo de refugiados que nem sequer é oficial na ilha grega de Lesbos não é a Holanda ou a Alemanha, explica Rami, mas é o suficiente para quem faz várias tentativas até cá chegar e pelo caminho vê pessoas iguais a si a perderem a vida na busca por uma vida melhor.

"Consegui, consegui", repete Rami, um tatuador iraniano que chegou há duas semanas à Europa, à BBC. Há poucos dias cumpriu o 21º aniversário, sem direito a presentes mas com uma chamada da família: "Estão preocupados comigo, como quaisquer pais estariam. Mas sabem que não podem fazer nada."

Se agora o tatuador se mostra feliz por ter a oportunidade de recomeçar, a verdade é que o caminho até aqui foi tudo menos fácil. Afogaram-se três mulheres e ele testemunhou a morte de duas, mas sabe que a culpa não é sua.

"Eu vi duas mulheres, uma de 50 anos e a filha de 17, a afogarem-se. Estavam tão longe de mim. Se as tivesse tentado salvar, talvez não estivesse aqui hoje." O que não quer dizer que já não se atormente: "Não consegui salvá-las. Penso nelas todos os dias".

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