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Há cada vez mais diplomatas a queixar-se de Trump a oficiais americanos

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MIKE STONE / REUTERS

Fontes da administração Obama dizem à Reuters que representantes diplomáticos da Europa, do Médio Oriente, do continente asiático e da América Latina têm feito soar alarmes em reuniões, sobretudo por causa da xenofobia do pré-candidato republicano

Inúmeros diplomatas estrangeiros têm estado a expressar as suas preocupações perante a possibilidade de um candidato como Donald Trump — cujas declarações inflamatórias, xenófobas e insultuosas lhe têm dado sucessivas vitórias na corrida à nomeação republicana — vir a ser Presidente dos Estados Unidos. O alarme tem soado em reuniões com membros da administração Obama, três dos quais falaram sob anonimato à Reuters sobre os receios de representantes diplomáticos de todo o mundo.

"À medida que a retórica [de Trump] continua, e nalguns casos é exacerbada, também as preocupações de determinados líderes em todo o mundo aumentam", diz uma das três fontes citadas pela Reuters, todas pedindo para não serem identificadas. De acordo com estas, oficiais de países da Europa, do Médio Oriente, da América Latina e da Ásia têm feito uso de conversas privadas recentes para se queixarem da postura do pré-candidato presidencial, sobretudo da natureza xenófoba das declarações públicas de Trump.

As fontes recusaram-se a dar à agência uma lista das nações cujos diplomatas já apresentaram queixas contra Trump, mas duas delas dizem que dessa lista fazem parte países como a Índia, a Coreia do Sul, o Japão e o México.

O Presidente mexicano Enrique Peña Nieto declarou esta segunda-feira que a retórica de Trump é o equivalente moderno à retórica de Hitler e de Mussolini, juntando-se a uma já longa lista de oficiais que demonstraram publicamente as suas preocupações com o facto do candidato liderar da corrida republicana para as presidenciais de 8 de novembro.

Essa lista foi igualmente engrossada esta semana pelo ministro da Economia alemão Sigmar Gabriel, que numa entrevista publicada este domingo disse que "Trump é uma ameaça à paz e à prosperidade mundial".

Se ter líderes políticos de países como o México, o Reino Unido, França e Canadá a criticarem um candidato presidencial norte-americano publicamente é pouco comum, ainda menos comum é ter diplomatas estrangeiros a fazerem uso de conversas privadas para se queixarem sobre determinado candidato durante um processo eleitoral, dizem as fontes norte-americanas que falaram à Reuters. É sobretudo "muito raro", referem, que "aliados dos EUA em particular" se imiscuam na política doméstica do país.

A Reuters tentou obter reações oficiais por parte dos países citados, bem como da campanha de Donald Trump. Tanto a equipa de Donald Trump como as embaixadas da Coreia do Sul e da Índia em Washington não responderam ao contacto e a embaixada do Japão recusou-se a comentar o assunto. Um porta-voz da embaixada mexicana reconheceu apenas que a alta responsável pela diplomacia do país, Claudia Ruiz Massieu, declarou na semana passada que os comentários e sugestões de políticas de Trump são "ignorantes e racistas" e que o seu plano de construir um muro na fronteira com o México (e pôr o país vizinho a pagar a conta) é "absurdo".