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#FreeSavchenko: “Voltarei à Ucrânia, com vida ou sem ela”

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Manifestantes exigem a libertação da piloto ucraniana Nadia Savchenko, detida na Rússia desde o verão de 2014

GLEB GARANICH / REUTERS

A piloto ucraniana acusada da morte de dois jornalistas russos tem estado em sucessivas greves de fome desde a sua detenção há 20 meses. Esta esta parece ser a última pois recusa qualquer tipo de alimento, líquido ou ajuda médica. Para pressionar a Rússia, três Nobel de Literatura assinaram uma carta pedindo a sua libertação e dezenas de manifestações estão marcados para esta semana em todo o mundo

“Quero que o mundo democrático perceba que a Rússia é um país do terceiro mundo, com um regime totalitário onde se cospe nos direitos humanos e nas leis internacionais”, escreveu Nadia Savchenko na véspera do seu último julgamento no dia 3 de março. Preparou uma longa carta, escrita à mão, para ler como declaração final. Mas o juiz do tribunal russo de Rostov-do-Don decidiu interromper os procedimentos e marcar o final do processo para o dia 9 de março.

Savchenko é uma piloto ucraniana de 34 anos detida na Rússia há 20 meses que tem feito ouvir a sua voz através de sucessivas greves de fome. Esta parece ser a última. Com a alteração da data da sentença, Savchenko tornou o protesto mais arriscado: desde quinta-feira recusa qualquer tipo de líquido. “Voltarei à Ucrânia, com vida ou sem ela”, escreveu na carta que nunca chegou a ler, mas que o seu advogado, Nikolai Polozov, tornou pública no Facebook da piloto.

A acusação remonta ao verão de 2014, aos primeiros meses do conflito no leste da Ucrânia, sendo-lhe atribuída a culpa da morte de dois jornalistas russos, vitimados por uma bomba. A piloto nega todas as acusações e diz que foi raptada em território ucraniano e transportada ilegalmente para a Rússia.

Neste momento, e segundo Vitaliy Moskalenko, embaixador ucraniano que visitou Savchenko esta segunda-feira, a sua saúde está muito deteriorada: “olhos secos, dores de cabeça, batimento cardíaco muito acelerado e cãibras”.

Preocupados com a situação, a opinião pública ucrania pede ajuda à União Europeia e aos Estados Unidos para pressionar a Rússia através de uma carta aberta que, esta segunda-feira, já contava com mais de cinco mil assinaturas. Entre os signatários contam-se três vencedores do Prémio Nobel da Literatura: a bielorrussa Svetlana Alexievitch, a austríaca Elfriede Jelinek e o lituano Tomas Venclova.

“A nossa capacidade de salvar esta vida vai testar a eficácia da diplomacia internacional e o nosso compromisso para com os valores europeus”, lê-se no documento.

Federica Mogherini, a Alta Representante da União Europeia para Política Externa e Segurança, também não ficou indiferente: “Junto a minha voz a todos aqueles que exigem às autoridades russas a urgente libertação de Savchenko por razões humanitárias”. Lê-se num comunicado divulgado esta segunda-feira.

Manifestantes ucranianos atiram pedras e ovos à embaixada russa em Kiev

Manifestantes ucranianos atiram pedras e ovos à embaixada russa em Kiev

GLEB GARANICH / REUTERS

Ao mesmo tempo, centenas de manifestações têm-se realizado um pouco por todo o mundo, a começar pela capital ucraniana, Kiev, onde centenas se juntaram no centro da cidade para pedir a libertação de Savchenko. Este protesto foi relativamente calmo, enquanto outro, junto à embaixada russa, ficou marcado pelo ataque ao edifício com ovos e pedras.

Para o dia 9 de março, último dia do julgamento de Savchenko, estão marcados 50 manifestações em todo o mundo. Em Portugal, a ação começará mais cedo, esta terça-feira, junto à embaixada de Moscovo em Lisboa, prolongando-se até à conclusão do processo. O presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, Pavlo Sadokha, disse ao Expresso que "todos os dias haverá manifestantes junto ao edifício, durante pelo menos uma hora, até que Nadia Savchenko volte para casa".