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Empresas produtoras de óleo de palma envolvidas em negócio que ameaça sustentabilidade

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Em matéria de sustentabilidade, no sector do óleo de palma há um negócio em vias de concretização que não traz boas notícias. Em causa está a possibilidade de a Felda adquirir uma participação na Eagle High Plantations. Entre outras coisas, as duas empresas são acusadas de promover a desflorestação

Na Malásia, há uma empresa estatal em vias de adquirir uma participação de 37% na companhia do sector do óleo de palma, a Eagle High Plantations, da Indonésia. É um negócio multimilionário que corre o risco de passar despercebido fora do circuito a que está mais ligado, mas sobre o qual o jornal “The Guardian” escreve, alertando para o que ele tem de preocupante.

Em causa está a sustentabilidade numa indústria em que estas duas empresas são consideradas, precisamente, das mais atrasadas em matéria de compromissos assumidos em prol da defesa dos recursos e das condições de trabalho impostas nas suas explorações. Espera-se o pior, dizem os mais críticos.

Em separado, cada uma das empresas controla áreas significativas de terra. A malaia Felda - principal cotada da Felda Global Ventures Holdings - assume-se mesmo como “a maior produtora de óleo de palma” e “o maior operador de plantações, com base no volume de hectares plantados”; enquanto a Eagle High é a sexta maior companhia do sector na Bolsa de Valores indonésia, atendendo também à área plantada.

Mas ambas partilham, de acordo com o jornal britânico, um historial de duvidosas práticas, quer com acusações de violações dos direitos humanos, quer pelo desrespeito em matéria de desflorestação e ausência de outros princípios básicos de proteção e salvaguarda dos recursos naturais.

No caso dagestão das plantações pela Felda, auditores independentes encontraram exemplos de “formas sutis de trabalho forçado”, envolvendo a retenção de documentos de identificação dos trabalhadores, acumulação de salários em atraso, contratos com condições pouco claras e remunerações abaixo do salário mínimo.

Sendo um dos membros fundadores da Mesa Redonda para Óleo de Palma Sustentável (RSPO), um organismo de certificação que tem sido amplamente criticado por ONGs pela alegada insuficiência dos padrões assumidos para a proteção da floresta, a empresa da Malásia é também criticada por se recusar a elevar esses padrões, algo que muitos dos seus concorrentes aceitaram fazer. Uma vez mais, a falta de sensibilidade para a questão é comum à Eagle High, que está aquém dos esforços realizados por muitos outros produtores indonésios de dimensão equiparável.

Se a aquisição se confirmar, milhares de hectares da Eagle High - estima-se que 425 mil - ficarão sob a alçada da Felda, grande parte dos quais com uma baixa taxa de exploração. O primeiro grande risco é que, pela necessidade óbvia de a empresa compradora garantir o retorno do investimento, parte considerável da floresta venha a ser rapidamente arrasada.