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A filha renegada de “El Chapo” que abanou com a política mexicana

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O narcotraficante Joaquin "El Chapo" Guzman voltou a escapar de uma prisão de máxima segurança no México

EDGARD GARRIDO / REUTERS

Rosa Isela Guzmán Ortiz — que há uma semana deu uma entrevista exclusiva ao "The Guardian" onde dizia que o pai viajou duas vezes para os EUA enquanto era procurado pelas autoridades mexicanas — está disposta a fazer um teste de ADN para provar a sua identidade

A mulher de Joaquín Guzmán, mais conhecido por "El Chapo", não ficou contente com a entrevista de Rosa Isela Guzmán Ortiz ao britânico "The Guardian" na semana passada, em que a mexicana garantia ser filha do chefe do cartel Sinaloa, entretanto recapturado pelas autoridades mexicanas. Daí que Rosa Ortiz diga agora que está disposta a fazer testes de ADN para comprovar a sua filiação.

"Não vou desmentir nada do que disse", garante em nova entrevista ao mesmo jornal, divulgada esta terça-feira. "Que se faça [um teste de ADN], estou preparada. Tenho um documento que diz que sou filha dele. [Emma Coronel] devia mostrar-me um papel que diga que é mulher dele." O "The Guardian" diz já ter visto vários documentos, incluindo uma certidão de nascimento, que comprovam a veracidade das alegações de Rosa Ortiz.

Na semana passada, a filha ilegítima de "El Chapo" irritou as autoridades e vários políticos do México ao declarar que o seu pai não só financiou as campanhas eleitorais de alguns políticos de longa data do país, como visitou secretamente os Estados Unidos por duas vezes para visitar familiares enquanto era procurado pelas autoridades, após ter escapado de uma prisão de alta segurança em julho do ano passado, a segunda fuga de prisões mexicanas no espaço de poucos anos.

"O meu pai não é um criminoso, o governo é que é culpado", declarou há uma semana Rosa Ortiz, um mês depois de a mulher de "El Chapo" ter dado a sua primeira entrevista pública a defender o marido das acusações que enfrenta. "Nem sequer tenho a certeza de que ele trafique droga", disse Coronel à jornalista mexicana Anabel Hérnandez na televisão. Ortiz, a enteada que Emma Coronel não reconhece, contraria essa declaração. "Todos sabemos o que o meu pai fez."

Rosa Ortiz diz que esta não é a primeira vez que Coronel entra em pé de guerra com outros membros da família Guzmán, citando o caso de Alejandrina Gisselle Guzmán, outra alegada filha ilegítima de "El Chapo", que em janeiro tentou criar uma marca registada com o nome do pai.

Esta segunda-feira, refere o "The Guardian", o governo mexicano reagiu à entrevista de há uma semana em que Rosa Ortiz acusou políticos mexicanos de aceitarem dinheiro de "El Chapo" para as suas campanhas, em troca da sua inação perante as tentativas de fuga do narcotraficante da prisão.

Apesar de não nomear a filha de "El Chapo", o comissário de segurança nacional do México Renato Sales veio desmentir publicamente as alegações de que o chefe do cartel Sinaloa comprou a proteção de políticos e oficiais proeminentes. "Nem tratados, nem alianças, nem pactos com o crime [organizado]", garantiu. "Não vamos ceder às especulações que têm como único objetivo desviar as atenções e tornar este sujeito numa vítima."

A procuradoria-geral do México já deu a entender que vai pedir uma entrevista com Joaquín Guzmán para apurar se as alegações de Rosa Ortiz correspondem à realidade. O gabinete do procurador José Manuel Merin também reagiu esta segunda-feira à notícia avançada por um dos advogados de "El Chapo" sobre o traficante querer acelerar o processo de extradição para os EUA, dizendo que não tem conhecimento dessas movimentações.