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Rei de Espanha não inicia nova ronda com os partidos

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TONI ALBIR / EPA

Depois de um chumbo inédito à investidura de Pedro Sánchez, líder do PSOE, Filipe VI deixa agora que sejam os próprios partidos a resolver a situação. A instabilidade política em Espanha segue dentro de momentos

O Rei de Espanha comunicou esta segunda-feira ao presidente do Congresso dos deputados, Patxi López, que não vai iniciar "neste momento" novas consultas com os representantes partidários, na sequência do inédito chumbo da investidura do candidato socialista, Pedro Sánchez.

Na passada sexta-feira, o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, perdeu a segunda votação de investidura para presidente do Governo de Espanha, tornando-se no primeiro candidato na história da democracia espanhola a não conseguir fazê-lo. O socialista apenas precisava de maioria simples, mas obteve 218 votos contra e 131 votos a favor (90 dos socialistas, 40 do Ciudadanos e um da Coligação Canária).

O monarca espanhol, que esteve reunido esta segunda-feira no Palácio da Zarzuela com Patxi López, anunciou numa nota de imprensa que a sua decisão de não ouvir outra vez os partidos visa deixar que sejam os próprios partidos "a levar a cabo as ações que considerem convenientes".

O PSOE conseguiu um acordo de investidura com o Ciudadanos, mas ainda assim insuficiente para formar governo, a não ser que o PP, de Mariano Rajoy, ou o Podemos, de Pablo Iglesias, se abstenham numa segunda votação (que apenas requer maioria simples). Mas ambos os partidos votaram contra.

Os "populares" consideram que ganharam as eleições de dezembro (ainda que sem maioria absoluta), pelo que propõem um governo de "grande coligação", com PSOE e Ciudadanos. Já o partido de Pablo Iglesias tem vindo a reiterar que o PSOE recebeu uma proposta de governo de coligação à esquerda (com Podemos e Izquierda Unida), mas que preferiu fazer um acordo com o centro-direita (Ciudadanos). Iglesias insiste que está disponível a negociar com Sánchez, mas apenas um governo de esquerda, ou seja, sem o Ciudadanos de Albert Rivera.

Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, tornou-se o primeiro candidato na história da democracia espanhola a ser chumbado na sua investidura para presidente

Pedro Sánchez, secretário-geral do PSOE, tornou-se o primeiro candidato na história da democracia espanhola a ser chumbado na sua investidura para presidente

PACO CAMPOS / EPA

Qualquer nova sessão de investidura terá de partir de um convite do Rei, seja com o mesmo candidato (Pedro Sánchez) ou com qualquer outro que ateste perante o Rei que tem os apoios necessários.

Os principais partidos continuam firmes nas suas posições iniciais: o PSOE tem um acordo com o Ciudadanos e pretende que outras forças - sobretudo o Podemos, essencial para a votação - se junte ao pacto; o Podemos insiste que prefere um governo de coligação de esquerda, rejeitando liminarmente a presença do Ciudadanos; já o PP reiterou que tem de ser o PSOE a juntar-se-lhe, "numa grande coligação" com o Ciudadanos. A fechar o círculo de bloqueios mútuos, o PSOE rejeita qualquer acordo com o PP.

O chumbo inédito apanhou de surpresa os constitucionalistas espanhóis, com interpretações diferentes quanto ao que fazer. Há os que acham que o convite inicial do Rei a Pedro Sánchez perdeu a validade quando este foi chumbado no parlamento - tendo de haver agora novo convite - e os que acham que devem ser os partidos a negociar e fazer chegar ao Rei, através do presidente do Congresso, nomes de candidatos que possam ter êxito numa segunda sessão de investidura.

Os partidos têm até 2 de maio para chegar a um acordo, caso contrário as Cortes Gerais (Congresso e Senado) são dissolvidas (a 3 de maio) e convoca-se novas eleições gerais para 26 de junho.