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Envio de militares italianos para a Líbia está fora de questão

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ALESSANDRO BIANCHI/REUTERS

O envio de 5000 militares italianos para a Líbia – que havia sido referido pelo embaixador norte-americano em Roma – seria uma “invasão” que não irá ter lugar, assegura o primeiro-ministro Matteo Renzi

A colaboração de Itália com outros Estados ocidentais para tentar estabilizar a situação na sua antiga colónia não irá passar pelo envio de um amplo contingente militar, assegura o primeiro-ministro Matteo Renzi.

“Enquanto eu for primeiro-ministro, Itália não irá para a Líbia, para uma invasão com 5000 homens”, afirmou Renzi falando num talk show televisivo este domingo, dia em que regressaram a Itália dois homens que havido estado sequestrados na Líbia.

O primeiro-ministro italiano desmentiu assim, perentoriamente, as afirmações do embaixador norte-americano em Roma John Phillips, que numa entrevista ao “Corriere della Serra” referira o suposto envio de 5000 militares italianos, no âmbito da intervenção da comunidade internacional para controlar a situação na Líbia e impedir o avanço do autodenominado Estado Islâmico (Daesh).

A Itália está a colaborar com outros Estados ocidentais e com as Nações Unidas para persuadir os dois atuais governos líbios a chegarem a um entendimento, coligando-se e unindo esforços nos combates contra o Daesh.

Os Estados Unidos lançaram ataques aéreos e a França voos de reconhecimento no país. Estes dois países, assim com a Grã-Bretanha, têm forças especiais destacadas no país. Roma indicou ter enviado cerca de 40 agentes secretos e que irá deslocar mais 50 agentes das forças especiais.

O país tem procurado convencer os outros Estados a limitarem a sua intervenção até que seja criado um Governo líbio único e que este solicite o auxílio internacional. Ao mesmo tempo, tem resistido a pressões para a utilização do território italiano, para que daí partam aviões e drones armados para efetuarem ataques na Líbia.

“Se houver necessidade de intervir, Itália não irá recuar. Mas essa não é a situação atual. A ideia de enviar 5000 homens não está sobre em cima da mesa”, disse Renzi

Entretanto, Gino Pollicardo e Filippo Calcagno, os dois trabalhadores da empresas de construção cívil italiana Bonatti que haviam sido feitos reféns em julho, próximo da cidade líbia de Sabratha, regressaram este domingo a Itália.

O porta-voz das forças de segurança líbias Sabri Kshada afirmou que a dupla foi libertada numa intervenção na passada sexta-feira. A mesma fonte acrescentou que Salvatore Failla e Fausto Piano, outros dois trabalhadores da mesma empresa que também se encontravam sequestrados, foram mortos por militantes do Daesh, após as forças líbias terem lançado um ataque na quarta-feira

As informações que os reféns libertados facultaram entretanto a magistrados italianos contradizem contudo a versão das forças líbias. Os dois homens indicaram que foram sequestrados por um grupo de criminosos, que não tinham ligações diretas ao Daesh, que os espancaram e os deixaram durante dias sem comida. Referindo ainda que conseguiram por si próprios escapar na sexta-feira.

Sabratha é uma das diversas cidades líbias em que os militantes próximos do Daesh têm forte presença.

Antes de terem embarcado em Tripoli no avião que os levou para Itália, os dois italianos surgiram ao lado de Ali Abu Zakouk, o ministro dos Negócios Estrangeiros do autoproclamado Governo líbio. “Nós precisamos o apoio e colaboração dos italianos para derrobar a organização criminosa do Daesh na Líbia”, afirmou Zakouk, em declarações citadas pela agência Reuters.