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Morreu a ex-primeira-dama Nancy Reagan

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POOL/Reuters

Ex-atriz, Nancy Reagan passou oito anos na Casa Branca, entre 1981 e 1989, durante os dois mandatos de Ronald Reagan. Foi uma das primeiras-damas mais influentes na história dos EUA

Helena Bento

Jornalista

Nancy Reagan, ex-primeira-dama dos Estados Unidos, morreu este domingo aos 94 anos. A sua morte foi confirmada pela porta-voz da Biblioteca Presidencial Ronald Reagan. Em comunicado, Joanne Drake esclarece que Nancy Davis Reagan morreu este domingo de manhã, na sua casa de Bel-Air, na Califórnia, vítima de insuficiência cardíaca.

Ex-atriz, Nancy Reagan passou oito anos na Casa Branca, entre 1981 e 1989, durante os dois mandatos de Ronald Reagan. Foi uma das primeiras-damas mais influentes na história dos EUA - aconselhou de forma decisiva o marido na demissão e contratação de consultores políticos na campanha para as eleições presidenciais de 1976 e na campanha, desta feita bem-sucedida, para as presidenciais de 1981.

Em 1987, teve um papel fundamental na demissão do chefe de gabinete Donald T. Regan - que Nancy acusava de incompetência - depois de se ter descoberto que o Presidente Reagan tinha aprovado secretamente a venda de armas ao Irão. O caso ficou conhecido como Irão-Contras. Em troca do armamento, os iranianos deveriam libertar os cidadãos norte-americanos detidos no Líbano.

Foi Nancy Reagan que ajudou o marido a recuperar do escândalo e a pedir desculpas publicamente pelo sucedido - algo que ele acabaria por fazer. Nancy era uma “guardiã feroz da imagem de Reagan, muitas vezes à custa da sua própria imagem, e uma conselheira de confiança”, refere o “New York Times”. ”Sem Nancy, o Governador Reagan e o Presidente Reagan nunca teriam existido”, dizia Michael K. Deaver, amigo próximo do casal, falecido em 2007, citado pelo jornal norte-americano.

Nascida Anne Frances Robbins em Nova Iorque, a 6 de julho de 1921, filha de um vendedor de automóveis e de uma atriz, chegou a Hollywood aos 28 anos, onde foi desenvolvendo carreira como atriz de filmes de série B. Ela e Ronald Reagan conheceram-se em 1949. Nancy, vendo-se envolvida, sem querer, num caso de justiça delicado, pede ajuda a Reagan, que na altura era presidente do Sindicato dos Actores dos Estados Unidos (Screen Actors Guild). Encontram-se, conversam, saem juntos, afastam-se durante algum tempo mas depois voltam a encontrar-se. O casamento realizar-se-ia em março de 1952.

Nancy Reagan acabaria por abdicar da sua carreira no cinema para se dedicar ao marido. Já em 1949, escrevera numa pequena nota biográfica que a sua “grande ambição era ter uma casamento feliz e bem-sucedido”, refere o “New York Times”. E quando Reagan foi pela primeira vez eleito Presidente dos EUA, em 1981, ela fez questão de salientar que a sua carreira na área da representação sempre fora secundária. Apesar disso, ainda participou em vários filmes, entre eles “East Side, West Side” (1949), “The Next Voice You Hear” (1950), “Night Into Morning” (1951) e “Hellcats of the Navy” (1957), em que Ronald Reagan, também ele ex-ator, desempenhava o papel principal.

Enquanto primeira-dama, Nancy Reagan foi uma mulher de causas. Viajou muito pelos Estados Unidos com o objetivo de alertar para os efeitos nefastos da dependência de álcool e drogas. É célebre a sua resposta, numa visita a uma escola na Califórnia, a uma aluna que lhe perguntara o que devia fazer se alguém lhe oferecesse algum tipo de droga. “Simplesmente, diz não”, respondeu-lhe Nancy Reagan. E quando lhe foi diagnosticado cancro da mama, foi incansável nos seus muitos incentivos à realização regular de mamografias como meio de precaucão.

Em 1994, Ronald Reagen descobriu que tinha Alzheimer. Nos dez anos que se seguiram, a ex-primeira dama esteve sempre ao seu lado, nesse “longo adeus”, como ela dizia. “Nancy Reagan dedicava-se completamente ao Presidente Reagan. Conforta-nos a ideia de saber que eles vão agora encontrar-se outra vez e ficar juntos”, disse Barbara Bush, também ela antiga primeira-dama, num comunicado citado pelo britânico “Guardian”