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UE insta Turquia a respeitar liberdade de imprensa após um jornal ficar sob tutela

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A polícia turca usou gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar manifestantes que se juntaram na sexta-feira à porta das instalações do “Zaman”

OSMAN ORSAL/Reuters

Um tribunal decidiu que o jornal “Zaman”, com uma circulação de 650 mil exemplares, passará a ser controlado pelo Estado. O jornal turco publicou este sábado uma edição a denunciar um “dia de vergonha” para a liberdade de imprensa na Turquia e com a manchete “A Constituição está suspensa”

A União Europeia (UE) instou este sábado a Turquia a respeitar a liberdade de imprensa depois de na sexta-feira a justiça turca ter decidido colocar sob tutela o jornal da oposição Zaman.

"A UE tem sublinhado constantemente que a Turquia, enquanto país candidato, deve respeitar e promover elevados padrões e práticas democráticas, entre os quais a liberdade dos media", refere um comunicado do serviço diplomático da União, a dois dias de uma cimeira UE-Turquia em Bruxelas dedicada à crise migratória.

"Meios de comunicação social livres, diversos e independentes constituem um dos pilares de uma sociedade democrática, facilitando a livre circulação de informação e ideias e assegurando transparência e prestação de contas", adianta o comunicado.

O Zaman publicou este sábado uma edição a denunciar um "dia de vergonha" para a liberdade de imprensa na Turquia e com a manchete "A Constituição está suspensa".

O diário é propriedade do grupo Zaman considerado próximo do imã Fethullah Gulen, um antigo aliado e agora "inimigo número um" do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, depois de um escândalo de corrupção em 2013.

Erdogan acusa Gulen, de 74 anos, de ser a fonte das acusações de corrupção feitas contra si há dois anos com o objetivo de o derrubar. Há vários meses que a oposição turca, organizações de defesa dos media e numerosos países revelam preocupação em relação às pressões crescentes de Erdogan e do seu governo sobre a imprensa, denunciando uma deriva autoritária.