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Lula contra-ataca: “Estou vivo e sou mais honesto do que vocês”

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Lula da Silva recebido em apoteose por apoiantes, em São Paulo

PAULO WHITAKER/REUTERS

Horas após a sua detenção para averiguações, o ex-Presidente do Brasil, Lula da Silva, garantiu aos seus simpatizantes que estará presente se o Partido dos Trabalhadores precisar “de alguém para comandar a tropa”

Lula da Silva contra-atacou ao final de sexta-feira, horas depois de ter sido detido em sua casa e ouvido durante três horas no âmbito da Operação Lava Jato, por suspeitas de envolvimento no esquema de corrupção relacionado com a petrolífera estatal Petrobras.

O ex-Presidente e fundador do Partido dos Trabalhadores brasileiro (PT) assegurou aos cerca de cinco mil militantes do PT que se reuniram em São Paulo que está “vivo” e preparado para disputar a Presidência em 2018. “A partir de hoje, a resposta que posso dar é ir para as ruas e dizer: 'estou vivo e sou mais honesto do que vocês'”, garantiu.

Lula, que foi recebido com uma grande ovação, chorou várias vezes e garantiu que se o quiserem derrotar vão ter de o “enfrentar nas ruas do país”.

“Se vocês estão precisando de alguém para comandar a tropa, está aqui”, afirmou, ao mesmo tempo que classificou a ação de sexta-feira como uma “provocação banal e imbecil”, queixando-se de ter sido vítima de “sequestro”.

No final do seu discurso, que durou perto de uma hora, Lula defendeu-se das acusações que o envolvem a ele e a membros da sua família no escândalo de corrupção que tem abalado o Brasil.

“Se alguém pensa que me vai calar com perseguição e denúncia, vou falar que sobrevivi à fome. Não sou vingativo e não carrego ódio na minha alma, mas quero dizer que tenho consciência do que posso fazer por esse povo e tenho consciência do que eles querem comigo”, afirmou numa clara alusão à disputa presidencial de 2018.

O Ministério Público revelou ontem, em comunicado, que na origem das suspeitas sobre o ex-dirigente estão doações e pagamentos que o beneficiam a ele e familiares. Em causa está o dinheiro usado em obras num apartamento triplex e noutro local do estado de São Paulo, e montantes recebidos por Lula nas suas palestras, que podem ter sido pagos por empresas de construção investigadas no processo Lava Jato.

Dilma defende-se

Pouco antes do encontro de Lula com apoiantes, já a Presidente em exercício, Dilma Rousseff, se tinha manifestado “inconformada” com o facto de o antigo Presidente ter sido “submetido a uma desnecessária coação coerctiva”, acrescentado que Lula prestou várias vezes esclarecimentos às autoridades de maneira voluntária.

Dilma dedicou menos de dois minutos à defesa do seu antecessor na Presidência, escreve a “Folha” na sua edição online, e preferiu defender-se das acuações de que foi alvo na véspera, por parte do senador Delcídio do Amaral, e que estão também relacionadas com o caso Lava Jato.