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Internacional

Donald Trump volta atrás... outra vez

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DAN ANDERSON/EPA

Trump já não acredita que reintroduzir o waterboarding - e outras técnicas de tortura ainda piores - e matar os familiares dos terroristas sejam boas propostas

Helena Bento

Jornalista

Do mesmo modo que mudou de posição em relação à guerra do Iraque, à imigração, aos refugiados sírios e ao Papa Francisco, Donald Trump também já não acredita que reintroduzir técnicas de tortura nas prisões norte-americanas ou matar os familiares dos terroristas, incluindo mulheres e crianças, sejam boas propostas, tendo inclusive abdicado delas.

Num comunicado publicado na sexta-feira no "Wall Street Journal", Trump garante que não vai ordenar nada aos militares que não seja legal. "Irei usar todos os poderes legais que tenho a meu dispor para impedir que os nossos inimigos terroristas ganhem terreno. Compreendo que o país está obrigado a cumprir leis e não vou exigir que os nossos militares e outros oficiais as violem. Procurarei, por outro lado, os seus conselhos nessas matérias. Como presidente, irei também cumprir a lei e assumir as minhas responsabilidades", promete Trump.

Foi durante uma entrevista a um programa da Fox, emitido esta semana, que o magnata do imobiliário defendeu a perseguição e assassínio das famílias dos terroristas como forma de atingir indiretamente os próprios terroristas, porque, disse Trump, é uma "ilusão" que eles não queiram saber das suas vidas e das vidas dos que lhes são próximos. "Estamos a lutar numa guerra politicamente correta. Com os terroristas, temos de atingir as suas famílias. Eles ligam às suas vidas, não nos iludamos. Dizem que não se importam com as suas vidas, mas temos de eliminar as suas famílias", disse Trump, provocando algum incómodo tanto durante a entrevista, como depois – o exército norte-americano fez imediatamente saber que se o magnata do imobiliário for eleito, recusar-se- á firmemente a cumprir as suas ordens.

Mas agora Trump voltou atrás e parece estar disposto a abdicar de algumas das suas propostas mais radicais e criticadas se isso equivaler a mais votos. Esse seu oportunismo político não é uma novidade. Soube-se recentemente que Marco Rubio e o senador pelo Texas Ted Cruz têm estado a pressionar Donald Trump para que ele autorize o "New York Times" a publicar uma entrevista em que alegadamente o magnata afirma estar disposto a abdicar das suas propostas populistas e anti-imigração, que têm atraído tantos eleitores às urnas, se isso lhe render mais votos.

A decisão de Donald Trump de voltar atrás na sua proposta de reintroduzir as técnicas de tortura e de matar os familiares dos terroristas é anunciada dois dias depois de algumas das mais proeminentes figuras do Partido Republicano terem publicado uma carta aberta contra ele.