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Trump responde a ataques de Romney: “É um artista do engasganço”

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Trump deu o seu apoio formal a Mitt Romney nas presidenciais de há quatro anos

Ethan Miller

Depois de Mitt Romney fazer o discurso anti-Trump mais explosivo da atual corrida à nomeação do partido, magnata sugeriu que o ex-candidato às presidenciais de 2012, apoiado por ele, estava pronto para “se pôr de joelhos”

Horas depois de ter sido classificado por Mitt Romney como uma "fraude" que "faz dos americanos parvos", Donald Trump usou um discurso de campanha antes do debate desta madrugada para acusar o "candidato falhado" do partido nas presidenciais de 2012 de ser um "artista do engasganço" que estava pronto "para se pôr de joelhos" e implorar ao magnata que o apoiasse nessas eleições.

"Podem ver quão leal ele é", disse o aspirante à nomeação republicana a uma multidão de 500 apoiantes num hotel de Portland, no Maine. "Ele estava a suplicar pelo meu apoio. Eu podia ter dito: 'Mitt, põe-te de joelhos' e ele ter-se-ia posto de joelhos. Ele estava a implorar. Verdade. Ele implorou-me", declarou Trump sugerindo que Romney estava disposto a favores sexuais para conseguir o seu apoio público e financeiro para impedir a reeleição de Barack Obama.

Trump também acusou Romney de ser um "candidato falhado" e de ter sido derrotado "horrivelmente". "Aquela corrida, deixem-me que vos diga, devia ter sido ganha" por ele, disse o magnata.

Rivais apoiariam candidatura de Trump

Com o neurocirurgião Ben Carson ausente do novo debate entre os rivais republicanos na quinta-feira à noite, madrugada desta sexta em Portugal, Trump voltou a estar na mira dos outros três aspirantes à nomeação republicana, que à semalhança do último debate televisivo se uniram contra o magnata.

Confrontado com a facilidade com que altera a sua postura sobre temas fraturantes, Trump admitiu que já mudou de opinião algumas vezes mas defendeu que a "flexibilidade é uma força". Como seria de esperar, o debate transmitido pela Fox News a partir de Detroit começou com o moderador a perguntar ao magnata sobre os ataques a Romney horas antes.

O ponto mais alto do debate, em trajetória oposta aos ataques, vai para o facto de todos os rivais de Trump — Ted Cruz, Marco Rubio e John Kasich — responderem afirmativamente quando questionados sobre se irão dar o seu apoio formal ao incendiário magnata caso ele consiga a nomeação do partido para disputar a Casa Branca com o candidato democrata em novembro. (O ponto mais baixo foi provavelmente ver Trump a falar do tamanho das suas mãos e a defender o tamanho do seu pénis na televisão nacional.)

O debate aconteceu antes das próximas etapas das primárias republicanas que têm lugar este sábado. Amanhã os candidatos republicanos vão a votos nos estados do Kentucky, Maine Kansas e Louisiana. Nestes dois últimos estados haverá simultaneamente primárias democratas, a par do caucus no Nebraska.

Priebus volta a confirmar que Trump será nomeado

Num dos dias mais explosivos da corrida republicana em curso desde o ano passado, o chefe do Comité Nacional Republicano voltou a deixar claro que, se Donald Trump conseguir garantir o maior número de delegados eleitorais acima da barreira mínima de 1237, ninguém irá mudar as regras para impedir a sua nomeação.

"Não vai haver jogadas" no processo de nomeação na Convenção Nacional Republicana em julho, garantiu Reince Priebus, sublinhando que as regras do processo "não são diferentes hoje do que eram há 100 anos". O que quer dizer, continuou em entrevista à CNN, "que há um processo e que qualquer candidato que consiga a maioria dos delegados irá ser apoiado pelo partido. É assim que funciona. Não vai ser diferente."

As declarações ecoam as que proferiu há duas semanas, quando Priebus, que como líder do comité nacional do partido tem a última palavra a dizer sobre a nomeação, garantiu pela primeira vez que não ia pôr-se no caminho de Trump se ele alcançar uma maioria simples de delegados eleitorais.

Questionado sobre se o Partido Republicano está a implodir também por causa da candidatura incómoda de Trump, Priebus riu-se e garantiu que não. "O partido tem mais gente eleita hoje em todo o país do que nos anos 1900", declarou, não sem admitir que os republicanos precisam "de aprender a ganhar eleições presidenciais como partido".