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Scott Kelly voltou mais alto e mais novo do espaço

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O astronauta norte americano, Scott Kelly, fotografado após ter saído da cápsula que pousou nas estepes do Cazaquistão

Kirill Kudryavtsev/Reuters

Além de mais alto, Scott Kelly, o astronauta norte-americano que esteve 340 dias a bordo da Estação Espacial Internacional e regressou à Terra são e salvo na quarta-feira, voltou mais novo do que o seu irmão gémeo

Helena Bento

Jornalista

Durante cerca de 48 horas a contar a partir do momento em que colocou os pés na Terra, Scott Kelly, o norte-americano de 55 anos que passou 340 dias a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), foi cerca de cinco centímetros mais alto do que o seu irmão gémeo, Mark, também ele um ex-astronauta da NASA, que ficou em terra.

A explicação é dada pela agência espacial norte-americana NASA, num artigo publicado no seu site. Comecemos por imaginar que as nossas vértebras das costas formam uma "mola gigante", sugere-nos a publicação. Ao empurrarmos para baixo a mola, ela mantém-se encolhida, mas quando a libertamos ela estica-se. O mesmo acontece com a coluna vertebral, que na ausência de gravidade tem tendência para alongar-se até 7,6 centímetros, esclarece.

Mas este processo não ocorre apenas no espaço. Quando estamos deitados, "a gravidade não está a empurrar para baixo as nossas vértebras", fazendo com que nessa posição sejamos mais altos "um ou dois centímetros". Ao levantarmo-nos vamos gradualmente "perder esses centímetros que ganhamos durante a noite", lê-se no artigo. Também Scott Kelly foi gradualmente perdendo esses centímetros que ganhou no espaço.

Esta sexta-feira, a CNN informou que a altura do astronauta norte-americano "tinha voltado ao normal". "O astronauta Scott Kelly, que cresceu cerca de cinco centímetros durante a sua estadia de quase um ano a bordo da Estação Espacial Internacional, voltou à sua altura normal", anunciou a cadeia televisiva.

Além desta variação na altura, há ainda outra mudança curiosa a registar, e que tem a ver com a idade. Scott Kelly voltou do espaço 8,6 milissegundos mais novo do que o seu irmão gémeo. O famoso "paradoxo dos gémeos", enunciado pelo físico francês Paul Langevin, contemporâneo de Einstein, ajuda a explicar isso: um gémeo que vá a estrelas distantes à velocidade próxima da luz e volte consegue manter a juventude, enquanto o irmão que ficou em terra envelheceu.

Scott Kelly, de 52 anos, e o russo Mikhail Korniyenko, 55, regressaram à terra na passada quarta-feira, 2 de março, colocando fim a uma viagem ao longo da qual os dois permaneceram 340 dias em órbita na ISS. O objetivo dessa missão que os fez permanecer durante quase um ano no espaço (partiram a 27 de março do ano passado) é estudar o impacto de uma permanência tão prolongada num ambiente de gravidade zero. Entre os efeitos nocivos para o corpo humano estão a atrofia muscular, perda de densidade óssea, perturbações na visão e exposição a radiações.

Durante a estadia na estação espacial, os astronautas realizaram mais de 400 experiências científicas, e Kelly saiu por três vezes para o espaço para participar em operações de manutenção. Duas dessas experiências foram especialmente aplaudidas cá em baixo – o cultivo de alfaces na câmara de cultivo "Veggie" da ISS e, depois, o cultivo de zínias, plantas da família dos girassóis e dos malmequeres.

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