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Frente Nacional cancela tradicional desfile do 1.º de Maio “por motivos de segurança”

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Jean-Marie Le Pen foi expulso do partido que fundou

© Charles Platiau / Reuters

Jean-Marie Le Pen diz-se “indignado” com a decisão de substituir marcha por “grande banquete nacional” de homenagem a Joana d'Arc. Fundador do partido de extrema-direita pede a “todos os que não têm medo do Daesh” que se concentrem frente à estátua da santa padroeira de França nesse dia

Desde 1988 que o 1.º de Maio, para muitos o Dia do Trabalhador que marca as vitórias laborais do passado, é para os franceses que apoiam a Frente Nacional o dia da marcha da extrema-direita. Até esse ano, o partido levava a cabo o seu tradicional desfile no segundo domingo de maio; a partir daí, o fundador da Frente Nacional (FN), Jean-Marie Le Pen, definiu a nova data — uma que esta sexta-feira ganhou protagonismo em mais uma guerra entre Le Pen e a nova direção do partido liderada pela sua filha, Marine Le Pen.

Rompendo com a tradição estabelecida pelo fundador da FN, o atual vice-presidente do partido, Florian Philippot, disse à France 2 que, este ano, o 1º de maio não será celebrado com a típica marcha pelos Jardins das Tulherias até à estátua de Joana d'Arc, padroeira do país, mas antes com "um grande banquete nacional".

"O 1.º de maio continua mas continua de uma nova forma", declarou ao canal o braço direito de Marine Le Pen, filha e arquirrival de Jean-Marie atualmente deputada no Parlamento Europeu. "Obviamente que o 1.º de maio é a festa do trabalho e é o dia de Joana d'Arc, portanto haverá uma homenagem a Joana d'Arc num 1.º de maio renovado e inovador." Philippot justificou a quebra da tradição com "questões de segurança".

Reagindo à decisão do seu antigo partido, do qual foi expulso pela filha em agosto do ano passado, Jean-Marie disse-se "indignado" e expressou a sua "surpresa" à RTL, convocando todos os membros da extrema-direita a concentrarem-se à mesma em frente à estátua de Joana d'Arc no primeiro dia de maio.

"Isto é uma rutura significativa com a linha da Frente Nacional", acusou Jean-Marie. "Peço a todas as pessoas que não têm medo do Daesh [acrónimo do autointitulado Estado Islâmico] — porque é essa a desculpa dada — que a 1 de maio se concentrem frente à estátua de Joana d'Arc."