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Espanha continua sem Governo: Pedro Sánchez fracassa na segunda votação de investidura

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SERGIO PEREZ/ Reuters

Tal como aconteceu na primeira votação, Pedro Sánchez voltou a não conseguir alcançar os votos necessários para assumir a presidência do Governo espanhol

Helena Bento

Jornalista

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, voltou a ver cair por terra a sua tentativa de reunir o apoio que precisa para assumir a presidência do Governo espanhol.

Tal como aconteceu na primeira volta, realizada na quarta-feira, Pedro Sánchez voltou a não conseguir alcançar os 176 votos para chegar a uma maiora absoluta, com a única diferença que desta vez uma deputada da Coligação Canária (CC) que se tinha abstido na primeira volta decidiu dar agora o "sim". No total, Sánchez obteve 131 votos a favor (40 dos deputados do Cidadãos, 90 da bancada socialista e um da CC) e 219 votos contra.

De nada valeu ao líder do PSOE apelar ao voto pela mudança e pela regeneração, "ao diálogo e ao acordo" e a um governo com um programa "reformista e progressista", e também de nada valeu ao líder do Cidadãos, Albert Rivera, criticar Mariano Rajoy na passada quarta-feira e exigir que ele abandone o governo. "Suma-se. O senhor não tem credibilidade para liderar esta nova etapa política", disse Rivera. Com este resultado, Pedro Sánchez torna-se o primeiro político na história da democracia espanhola a não conseguir obter a investidura para presidente do Governo de Espanha.

Na quinta-feira, prevendo este segundo chumbo, Pablo Iglesias e a direção do Podemos revelaram disponibilidade para reabrir as negociações com o PSOE de Pedro Sánchez e, assim, evitar a dissolução das Cortes Gerais e marcação de novas eleições. De acordo com a Constituição, abre-se agora um novo período de consultas dos líderes políticos com o rei, que podem resultar numa alternativa para a constituição de um novo Governo ou na marcação de novas eleições, previsivelmente para 26 de junho. As forças políticas com assento parlamentar têm ainda dois meses para encontrar uma solução.

Nas eleições gerais de dezembro, o PP de Rajoy ficou-se pelos 123 deputados eleitos, longe da maioria necessária para governar. O PSOE ficou em segundo, com 90 assentos, seguido do Podemos, que firmou 69 deputados, e do movimento emergente centrista liderado por Rivera, que ficou em quarto lugar, com 40 deputados.

Perante a recusa de todos os partidos em negociarem com o PP, o Rei Felipe IV de Espanha pediu a Sánchez que tentasse fazer alianças e chegar a um entendimento com cada um dos partidos restantes para conseguir formar governo, mas até agora todas as suas tentativas saíram frustradas.