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Wall Street prepara “ofensiva anti-Trump” antes de primárias na Florida

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John Moore

“Politico” noticia esta quinta-feira que o milionário Paul Singer vai garantir que Super PAC ‘Our Principles’ “tem todo o dinheiro de que precisa” para impedir que o magnata consiga a nomeação republicana para as presidenciais de novembro

Nuns Estados Unidos da América onde a angariação de dinheiro é a premissa fulcral de qualquer candidatura à presidência dop país, é importante perceber como funciona essa acumulação de fundos. Sobretudo agora que, segundo uma notícia do "Politico" esta quinta-feira, os gigantes do dinheiro em Wall Street estão a preparar-se para lançar a bomba H financeira contra Donald Trump — após o candidato à nomeação republicana ter firmado nove vitórias estatais na Superterça-feira, cimentando a sua liderança na corrida e espalhando o terror entre os conservadores que continuam a tentar evitar a sua nomeação.

Um candidato tem várias formas de angariar dinheiro para a sua campanha política, desde doações individuais aos chamados Comités de Ação Política (PAC). Da lista de alternativas destacam-se os Super PAC, que ao contrário dos PAC normais não impõem limites à quantidade de dinheiro que determinado grupo pode angariar para apoiar determinado candidato.

Até agora, o multimilionário norte-americano que tem primado pelo populismo, xenofobia e postura anti-imigração angariou muito pouco dinheiro comparativamente a outros candidatos — 12,4 milhões de dólares (11,4 milhões de euros) em 2015, de acordo com dados da Comissão Federal Eleitoral (FEC) — arriscando muito pouco da sua fortuna, apontava há uns dias o "New York Times". É um cenário oposto ao de outros candidatos e, sobretudo, dos indivíduos e grandes empresas que já investiram milhões de dólares em campanhas contra o magnata do imobiliário.

Dessas destaca-se o Super PAC "Our Principles", que ganhou notoriedade há uma semana quando Trump ameaçou Marlene Ricketts — até então a maior doadora desse comité, que é proprietária da equipa de basebol Chicago Cubs — dizendo-lhe que se continuar a investir dinheiro contra ele irá revelar os seus segredos mais embaraçosos.

Agora, e segundo uma notícia avançada esta quinta-feira pelo "Politico", Ricketts vai deixar de ser a que mais dinheiro investiu no maior Super PAC já criado para evitar um Trump Presidente. De acordo com fontes em Wall Street, há cada vez mais ricos e milionários nos Estados Unidos a passar cheques chorudos ao "Our Principles" e a outros Super PAC, com o intuito de destronar a candidatura cada vez mais sólida de Trump. Entre eles conta-se Paul Singer, um gestor de hedge funds com uma fortuna avaliada em 2,2 mil milhões de dólares (cerca de 2000 milhões de euros).

Diz uma fonte do "Politico" ligada a esse Super PAC que Singer já deixou claro que irá doar "o dinheiro que for necessário" para evitar uma vitória de Trump na Florida, no dia 15 de março. O estado é mais relevante do que outros porque todos os delegados eleitorais em disputa são atribuídos ao candidato republicano que ficar em primeiro lugar nessa votação.

Singer, a família Ricketts — que fundou o "Our Principles" com um investimento inicial de três milhões de dólares (2,76 milhões de euros) — e outros milionários e empresas querem garantir que Trump não sai vencedor no estado do senador Marco Rubio, o único "candidato do sistema" que agrega o favoritismo da maioria dos republicanos e que, até agora, só conseguiu vencer num dos quase 20 estados que já votaram em primárias (no Minnesota esta semana, na chamada Superterça-feira).

Diz a mesma fonte ao "Politico" que, esta terça-feira, teve lugar uma videoconferência para discutir o dinheiro que será investido no Super PAC anti-Trump, que incluiu Singer, Meg Whitman, a CEO da Hewlett Packard e Todd Rickets, coproprietário dos Chicago Cubs e um dos três filhos de Marlene. Richard Uihlein, um dos empresários mais ricos do estado do Illinois, também deverá juntar-se aos esforços, para além de Jim Francis, um dos maiores doadores do Partido Republicano, natural do Texas, que também participou nessa vídeochamada.

Republicanos em desespero estudam candidatura independente

Antevendo uma vitória estrondosa de Trump na maioria dos 13 estados que foram a votos esta semana, um grupo de conservadores do Partido Republicano pediu recentemente a uma empresa de consultoria que avalie a viabilidade de uma candidatura independente tardia à nomeação republicana.

A 26 de fevereiro, no rescaldo da vitória de Trump no Nevada, os funcionários da Data Targeting — uma firma ligada ao Partido Republicano com sede em Gainesville, na Florida — prepararam um documento onde dizem ser "possível preparar uma candidatura independente", mas que tal "exige ação imediata dos principais jogadores estratégicos e financiadores" entre os conservadores.

O memorando surgiu em resposta ao pedido do grupo de republicanos que, perante os falhanços sucessivos de Rubio, pondera trazer para a corrida republicana uma nova candidatura, possivelmente apoiando Michael Bloomberg, o multimilionário e ex-autarca de Nova Iorque.

No primeiro contacto desse grupo de conservadores com a Data Targeting, era sublinhado que toda a pesquisa às reais possibilidades de uma nova candidatura ter pernas para andar "tem de acontecer antes de 16 de março, quando Trump se tornará inevitavelmente o nomeado [republicano], para que possamos ter um plano em marcha", disse uma fonte familiarizada com as discussões ao "Politico".