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Professor iraniano despedido pelo tom feminino da sua voz vai iniciar greve de fome

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Qasem Exirifard acredita que o verdadeiro motivo para ter sido afastado da Universidade de Tecnologia Toosi, em Teerão, é o facto de não ser um homem próximo do regime. Colegas e alunos pediram que fosse readmitido, mas reitor recusa

Qasem Exirifard, um professor universitário iraniano despedido pela Universidade de Tecnologia Toosi de Teherão por causa de um motivo insólito - o seu tom de voz - decidiu iniciar uma greve de fome como forma de protesto.

Exirifard sente-se maltratado e vítima de una decisão que considera, além de injusta, ilegal. Assim, no próximo sábado vai permanecer em frente à universidade que o afastou, entre as 10h e as 16h, e deixará de comer. Promete manter a greve “até que o seu corpo aguente”.

Embora o motivo para o despedimento mencione a sua voz aguda, a verdadeira justificação parece ser outra. O reputado professor de física, apesar de doutorado em Itália, com louvores, não foi considerado apto para dar aulas pelo comité encarregado de certificar as suas crenças religiosas, políticas e culturais. Ou seja, o docente não é um homem próximo do regime.

Em novembro, quando foi ouvido pelo comité, foi-lhe de facto perguntado como reagiria se os estudantes se rissem da sua voz durante uma aula. Estupefacto, o docente respondeu simplesmente que continuaria a apresentar a matéria, mas há quem considere que as questões determinantes para a decisão foram colocadas noutro momento.

Perguntaram-lhe, por exemplo, o que pensava dos ocidentais que conheceu em Itália. “Somos todos humanos e semelhantes”, respondeu Qasem Exirifard. Quando quiseram saber se abordava temas religiosos durante as suas aulas, acrescentou que “a Universidade paga-me para ensinar física e só falo de física”,

Apesar de alunos e a comunidade universitária se terem unido numa petição pedindo a readmissão do docente, o reitor da universidade recusa dar o passo atrás, escudado no parecer do comité avaliador.

Depois de o caso se tornar conhecido, o professor recebeu várias propostas de trabalho, inclusivamente da universidade italiana onde estudou. Emigrar não é, para ele, uma opção.

“Não cometi nenhum crime. Não sou delinquente. Porque deveria deixar o meu país?”, disse ao “El Mundo”. A sua luta é por justiça, sublinha. É o que exige e espera alcançar com o seu protesto.