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Mataram Berta

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ORLANDO SIERRA/ Getty Images

As intimidações eram constantes. Houve ameaças de morte, de violação e à família. Esta quinta-feira, Berta Cáceres foi morta a tiro em casa, nas Honduras - país onde foram assassinados mais de 100 ativistas entre 2010 e 2014. Berta passa a fazer parte desta lista de vítimas

“Temos apenas um planeta e precisamos de tomar medidas”, gritava Berta Cáceres. Lutava pelos Direitos Humanos e defendia as comunidades indígenas. Há uma semana tinha sido ameaçada por se ter oposto à construção de um projeto hidroelétrico. Esta quinta-feira, aos 47 anos, a ativista foi assassinada em casa, em La Esperanza, nas Honduras.

“A morte de Berta Cáceres é um ataque às Honduras, deve ser investigado e os culpados devem ser presentes à justiça. Exigimos isso”, publicou no Twitter o presidente do país, Juan Orlando Hernández.

Esta quinta-feira, pela 1h ( 7h em Lisboa), entraram em casa da ambientalista e dispararam. Berta Cáceres morreu logo. Escreve-se que foram dois assassinos, mas outros órgãos de comunicação locais garantem que eram 11 homens. Independentemente do número, todos escaparam sem serem identificados. Um irmão da ativista ficou ferido.

Berta tinha-se mudado há pouco tempo para aquela casa, por achar que estava mais segura.

As autoridades acreditam que a morte aconteceu na sequência de uma tentativa de assalto. A família, no entanto, tem uma versão bem diferente. “Não tenho dúvidas que foi morta por causa da sua luta. Os soldados e as pessoas da barragem são responsáveis. Tenho a certeza disso”, contou a mãe da ativista à radio Globo at 6, Austrabertha Flores.

As intimidações eram frequentes no quotidiano de Berta Cáceres, que chegou mesmo a ser ameaçada de morte e de violação. Nas últimas semanas, escreve o jornal “The Guardian”, o perigo intensificou-se. Há relatos de que foi contratado um assassino para a matar.

A 20 de fevereiro, Berta Cáceres participou numa manifestação, juntamente com os membros da Council of Indigenous Peoples of Honduras (Copinh) - associação da qual era cofundadora –, contra a construção de uma barragem no Rio Blanco. Em comunicado, a Copinh disse que foi confrontada pela polícia, militares, autarcas e funcionários da barragem.

Entre 2010 e 2014, 101 ativistas foram assassinados nas Honduras. Um deles foi Tomás García, parceiro de Berta Cárceres na liderança do Copinh. Foi morto a tiro por um militar no decorrer de um protesto em 2014.

Segundo o estudo “Quantos mais?”, desenvolvido pela organização não governamental Global Witness, citado pelo “The Guardian”, ao longo de 2014 foram silenciados 116 ativistas em todo o mundo. E quatro em cada dez vítimas pertenciam a comunidades indígenas que mostraram resistência ao desenvolvimento de projetos nos seus territórios.

Berta Cáceres venceu no ano passado o prémio Goldman Environmental, considerado o mais prestigiante na área da proteção ambiental. “Temos de lutar em todas as partes do mundo, onde quer que estejamos, porque não temos um outro planeta para substituir. Temos apenas um e temos de agir. As pessoas nas Honduras, juntamente com a solidariedade internacional, conseguem sair desta situação injusta, promover a esperança, a rebelião e organizar-se para proteger a vida”, disse a ativista em entrevista ao “The Guardian” na altura em que foi galardoada.