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Iglesias vai voltar às negociações com o PSOE para criar “ampla coligação de esquerda”

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Pablo Iglesias, líder do Podemos, já garantiu que vai lutar “até ao fim” para ver esta exigência cumprida

JUAN MEDINA

Antevendo o muito provável chumbo da investidura de Pedro Sánchez na segunda votação marcada para esta sexta-feira, líder do Podemos pretende retomar discussões com o socialista para negociar um governo de esquerda sem o Cidadãos, evitando assim novas eleições

Pablo Iglesias e a direção do Podemos vão reabrir as negociações com o PSOE de Pedro Sánchez na próxima segunda-feira, após a primeira votação de investidura do líder socialista espanhol ter falhado no Congresso dos Deputados e de estar previsto um segundo chumbo para esta sexta-feira.

Sánchez, que precisa de um mínimo de 176 votos para vir a encabeçar o próximo governo espanhol, falhou em alcançá-los, firmando apenas um pacto com Albert Rivera e o seu Cidadãos — acordo esse que irritou tanto os conservadores do PP e o ainda chefe do Executivo, Mariano Rajoy, como a formação emergente de esquerda que Iglesias lidera.

Para evitar que o país tenha de voltar às urnas — depois de Rajoy falhar uma maioria qualificada nas eleições de 20 de dezembro que lhe permitisse continuar a governar — as forças políticas com assento parlamentar têm ainda dois meses para encontrar uma solução. É por essa razão, aponta esta quinta-feira o "El País", que Iglesias vai retomar as discussões com Sánchez para um acordo que, muito provavelmente, irá ditar o afastamento do secretário-geral do Cidadãos, que Iglesias classifica de "marioneta" das grandes forças partidárias.

Nas eleições gerais de dezembro, o movimento emergente centrista liderado por Rivera ficou em quarto lugar, conseguindo eleger 40 deputados. Foi ultrapassado pelo Podemos, que firmou 69 deputados no terceiro lugar, pelo PSOE (90 assentos) e pelo vencedor-derrotado, o PP de Rajoy, que se ficou pelos 123 deputados eleitos, bem longe da maioria necessária para governar.

Por esse motivo, e perante a recusa de todos os partidos em negociarem com o PP, o Rei Felipe VI de Espanha pediu a Sánchez que tentasse formar governo, algo que o socialista não conseguiu. Na quarta-feira, após a primeira votação de investidura de Sánchez, Iglesias pediu a todas as forças do espectro político da esquerda que aceitem negociar com o Podemos e o PSOE em clima de paridade, "a partir da igualdade e da co-responsabilidade". Iglesias acredita que é possível criar um "governo de progresso" com representação proporcional do seu partido e dos socialistas, bem como da Esquerda Unida-Unidade Popular e Compromisso.

"A partir de sexta-feira", declarou ontem, "seria uma boa notícia que nos reuníssemos todos para um governo de coligação progressista", já que o falhanço de Sánchez em formar um governo sozinho com o aval dos restantes partidos demonstrou "que o pacto com o Cidadãos não dá para fazer governo".

Após a primeira votação na quarta, Sánchez insistiu que o conjunto de votos das forças de esquerda com assento no Congresso não é suficiente para criar um projeto alternativo ao governo de Rajoy, justificando assim a tentativa de alcançar um "acordo transversal", da direita à esquerda. O líder socialista pediu igualmente, na quarta-feira, a Iglesias que permita um "governo de mudança".

Para garantir o sucesso de uma potencial coligação ampla de esquerda, Sánchez e Iglesias precisarão do apoio de pelo menos outra força política, mas o líder do Podemos não quer que seja do Cidadãos de Rivera.

Ao todo, o PSOE, o Podemos e as suas alianças territoriais representam 161 assentos, menos 15 do que o necessário para ter maioria absoluta no parlamento. Iglesias diz que já está em consultas com as forças nacionalistas catalãs e bascas (nove representantes da Esquerda Republicana da Catalunha, oito da Democràcia e Libertat e seis do PNV) para tentar que se juntem ao acordo, mas deixou também já claro que não aceitará que a coligação de esquerda seja refém do soberanismo e dos desejos de independência das forças que representam essas duas regiões.