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Internacional

França ameaça enviar refugiados de Calais para o Reino Unido

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ERIC PIERMONT

Em declarações ao “Financial Times”, ministro das Finanças de França disse que, se o Reino Unido vier mesmo a sair da União Europeia, o controlo de passagens de migrantes pelo Eurotúnel será suspenso. França quer ainda atrair banqueiros de Londres para Paris e excluir britânicos do mercado comum, diz Emmanuel Macron

O governo francês pode dar ordens às autoridades em Calais para que parem de fazer controlos na fronteira e deixem passar todos os refugiados e migrantes pelo eurotúnel até ao território britânico se o Reino Unido decidir abandonar a União Europeia.

A ameaça foi feita por Emmanuel Macron, ministro francês das Finanças, em entrevista ao "Financial Times" publicada esta quinta-feira, ao qual disse ainda que poderá limitar o acesso do Reino Unido ao mercado comum e tentar atrair para França os banqueiros de Londres.

Os seus comentários foram divulgados poucas horas antes de um encontro entre o Presidente de França, François Hollande, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, na cidade francesa de Amiens, para discutirem políticas migratórias e a situação explosiva na Síria e na Líbia — onde, segundo o "Le Monde" há alguns dias, as forças especiais francesas têm levado a cabo operações secretas contra o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

Boris Johnson, o autarca de Londres que é um dos mais proeminentes defensores da chamada Brexit, reagiu às declarações do ministro francês pedindo aos eleitores que "ignorem os que querem incutir o medo". A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) vai ser decidida pelos eleitores britânicos a 23 de junho, num referendo prometido por Cameron ao longo de vários meses para alcançar um "estatuto especial" para o Reino Unido dentro do bloco dos 28, algo que conseguiu em meados de fevereiro. O primeiro-ministro quer que os cidadãos tenham isso em consideração na hora de votar e que optem por ficar "com o melhor de dois mundos".

"No dia em que esta relação começar a desfiar-se, os migrantes já não estarão em Calais", disse Macron, acrescentando que França irá estender uma "passadeira vermelha" aos banqueiros de Londres para os convencer a mudarem-se para Paris. Neste momento, estima-se que haverá cerca de quatro mil pessoas desesperadas na chamada Selva de Calais a tentarem partir para o Reino Unido.

Tusk no epicentro da crise dos refugiados

O Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, vai visitar a Grécia e a Turquia num novo esforço para encontrar um consenso entre os 28 estados-membros para lidar com a crise humanitária que piora a cada dia na União Europeia, noticia esta quinta-feira a BBC.

Esta semana, Tusk disse que reduzir o número de migrantes que viajam da Turquia para as ilhas gregas é imperativo para evitar um "desastre humanitário". Neste momento, mais de 25 mil pessoas estão presas na fronteira da Grécia com a Macedónia, que parou de aceitar a passagem de refugiados para o seu território — com organizações não-governamentais a avisarem que poderão ser 70 mil pessoas até ao final deste mês.

Esta semana, Tusk tem estado a viajar até às capitais das nações do centro e do sudeste da Europa numa tentativa de amainar as tensões elevadas pelas recentes decisões da Áustria e de vários países dos Balcãs em restringirem as passagens diárias de requerentes de asilo nos seus territórios. Estas visitas são tidas como uma preparação da nova cimeira UE-Turquia marcada para o próximo dia 7 de março.

"Nem por um momento podemos parar os nossos esforços para melhorar a cooperação com os nossos vizinhos, a começar pela Turquia", declarou Donald Tusk em Viena de Áustria na terça-feira, acrescentando que a Europa está preparada para dar "apoio financeiro substancial" a países em guerra como a Síria e o Iraque.