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Efeitos das alterações climáticas na comida podem matar meio milhão por ano

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Shailesh Andrade / Reuters

Estudo revela que em 2050 a quantidade e qualidade da comida disponível a nível global vai diminuir, levando a um aumento de doenças do coração e cancros relacionados com a alimentação

“Os prejuízos para a saúde decorrentes das alterações climáticas são muito maiores do que pensávamos.” As palavras são de Peter Scarborough, participante no estudo da Universidade de Oxford que revela que a partir de 2050, 529 mil pessoas podem morrer anualmente devido à falta de comida disponível por causa das alterações do clima.

O estudo, citado pelo “The Guardian”, explica que para além das alterações à paisagem em que estamos habituados a pensar quando se fala de aquecimento global, também há que ter em conta os efeitos na nossa alimentação. Isto significa que em 2050, graças às alterações climáticas haverá menos 4% de frutas e vegetais disponíveis para a população mundial consumir, e o mesmo se passará com 3% das calorias totais e 0,7% da carne processada.

Estas mudanças poderão levar a um aumento dos casos de doenças do coração e cancros relacionados com a alimentação. No entanto, o efeito inverso também poderá acontecer em certos casos: em países como a Índia e a China registam-se muitas mortes por fome, mas na América Central e na África do Sul pode dar-se uma redução de mortes por obesidade e complicações associadas.

As mudanças são difíceis de detetar a curto-prazo, mas Peter Scarborough explica que não devem ser subestimadas: “Todas as pessoas comem, por isso mudanças pequenas no nosso regime alimentar podem rapidamente acumular” e ter um impacto significativo no número de mortes a nível global.

Números assustadores

De acordo com este estudo, que já é considerado “o mais avançado sobre os efeitos das alterações climáticas na comida e na saúde pelo professor John Porter, da Universidade de Copenhaga, a solução para este problema passa por reduzir as emissões de dióxido de carbono para a atmosfera e apostar na educação. Medidas que devem ser tomadas urgentemente, uma vez que os investigadores garantem que as projeções para lá de 2050 podem ser ainda mais assustadoras.

Embora atualmente haja uma tendência global para que os consumidores sejam mais conscientes em relação à alimentação e haja menos pobreza extrema, a emissão de carbono continuada pode reduzir o impacto dessas tendências positivas. Segundo o estudo, mesmo que as medidas para parar estas emissões nocivas fossem tomadas agora, haveria 154 mil mortes no ano 2050 devido a fatores relacionados com a alimentação.