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Cães polícias, os novos aliados na defesa dos elefantes nos aeroportos do Quénia

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Getty

Não são corruptíveis e o seu faro apurado consegue detetar até pequenas peças com marfim escondidas entre a bagagem dos passageiros

Já eram usados para a deteção de drogas e explosivos. Agora, os cães pisteiros começam a dar também uma ajuda preciosa na luta contra o tráfico de marfim nos aeroportos do Quénia. Ao todo, são seis os animais que estão a ser utilizados no aeroporto de Nairobi. Trabalham por turnos, de modo a permitir um controlo permanente das bagagens.

O faro apurado permite-lhes detetar até as mais pequenas peças com marfim trabalhado. Encaram a sua missão como um jogo, agindo por instinto e segundo o treino que receberam para o efeito, o que representa uma mais-valia. “Você não pode corromper um cão, uma vez que um cão faça uma deteção, não pode dizer-lhe que aquilo não é marfim”, explicou à Agência France Presse (AFP) Philip Muruthi, da Fundação Africana para a Vida Selvagem.

A organização tem estado a treinar os cães, que estão a ser usados nos aeroportos do Quénia e noutras áreas de controlo de tráfego, especificamente para detetarem marfim e chifres de rinoceronte.

Os envolvidos nesta luta frisam que o tráfico está ligado a um crime organizado que facilmente corrompe os agentes da lei. Consideram que a utilização destes cães abre uma nova frente de batalha, funcionando também como elemento dissuasor.

“As apreensões abarcaram marfim trabalhado, na forma de braceletes, pendentes e mesmo anéis”, indicou à AFP Mark Kinyua, que chefia a unidade canina para o Serviço estatal da Vida Selvagem do Quénia. Alguns dos pendentes apreendidos estavam escondidos dentro de folha de alumínio, outros num maço de cigarros e, num outro caso, dentro de uma bolsa. “É nesses casos que os cães intervêm e fazem a apreensão por nós”, descreveu Kinyua.

Este ano, em apenas uma semana, os cães descobriram marfim e chifres de rinoceronte nas bagagens de passageiros que regressavam à China, Tailândia e Vietname. Também permitiram a deteção de peles de impalas, pangolins e uma tartaruga.

Apesar de pequenas peças representarem reduzidas quantidades de marfim, os responsáveis pela operação frisam que os cães estão a permitir apreensões regulares em rotas utilizadas diariamente por dezenas de milhares de passageiros, o que permite um grande avanço na luta.

Há Pastores Alemães, Spaniels e Pastores Belgas entre os cães utilizados e o seu treino não é barato, chegando a custar 5500 euros por animal. Mas essa verba é largamente paga pelos resultados que conseguem, pois uma única apreensão pode resultar em multas de 9200 euros e em detenções.

“Os cães inserem-se num plano mais amplo de preservação da vida selvagem”, afirmou Muruthi à AFP, “nós não podemos ter um plano de desenvolvimento sustentável se não valorizarmos a sua preservação”.

Mais de 30 mil elefantes são mortos anualmente em África para satisfazer a grande procura de marfim na Ásia. O quilograma de marfim é vendido por cerca de mil euros.

Há planos para que a utilização de cães pisteiros no combate ao tráfico passe a ter lugar também em Moçambique, Uganda e Etiópia.

No próximo mês, o Quénia tem prevista a queima de um stock de 120 toneladas de marfim apreendido, o que representa um aumento de 8 vezes em relação ao que é habitualmente queimado neste tipo de operação.