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Mais um grande passo para a humanidade: a viagem extraordinária de Kelly e Kornienko teve um final feliz

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O astronauta norte americano, Scott Kelly, fotografado após ter saído da cápsula que pousou nas estepes do Cazaquistão

Kirill Kudryavtsev/Reuters

Estiveram um ano no espaço, regressaram a nós esta quarta-feira. O objetivo da longa permanência no espaço destes dois astronautas – um é norte-americano, o outro russo – foi tentar perceber o impacto que a microgravidade teve nos seus corpos – e estudar como haveremos e com que impacto chegar um dia a Marte. Um deles tem um irmão gémeo que será usado agora como termo de comparação

A cápsula que transportava americano Scott Kelly, de 52 anos, e o russo Mikhail Kornienko, de 55 anos, pousou esta quarta-feira nas estepes do Cazaquistão, colocando fim a uma viagem ao longo da qual os dois permaneceram 340 dias consecutivos em órbita na Estação Espacial Internacional.

O objetivo da missão de ambos é estudar o impacto no ser humano da permanência prolongada no espaço, a fim de preparar futuras missões habitadas a Marte. “Fisicamente, sinto-me muito bem (…). Poderia ficar mais 100 dias... poderia ficar mais um ano se fosse preciso”, afirmou Scott na última vídeoconferência que efetuou antes do regresso à Terra.

“A parte mais difícil é estar fisicamente isolado das pessoas que são importantes para ti”, explicou, considerando que o maior desafio é lidar com “a perda de ligação com aqueles por quem se tem estima e amor e com quem se quer passar tempo juntos”. A primeira coisa que Scott Kelly disse tencionar fazer quando chegasse à sua cada em Houston, Texas, era dar um mergulho na piscina.

O seu irmão gémeo Mark Kelly, ex-astronauta da NASA, vai servir agora como termo de comparação no estudo. Durante a missão de quase um ano, foram regularmente feitos exames médicos e recolhidas amostras de sangue, saliva, fezes e urinas dos dois, que continuarão a ser analisados após o regresso de Scott ao planeta.

“Os cientistas irão analisar os dados de (Scott) Kelly e Kornienko mal eles regressem à Terra. Demorará entre seis meses a seis anos até que nós publiquemos os resultados dessa investigação” indicara anteriormente um relatório da NASA sobre esta missão espacial.

Uma das questões centrais neste estudo é a compreensão do impacto que a permanência prolongada em condições de microgravidade tem nos seres humanos e como conseguir evitar ou atenuar os efeitos negativos – os músculos e ossos atrofiam e a visão deteriora-se. Outro impacto que os cientistas querem perceber é o das radiações espaciais nas células do corpo.

Para além do impacto físico, a permanência em condições de microgravidade representa também um desafio na realização de tarefas do quotidiano que na Terra são banais. As gotas de água flutuam no ar e colam-se à pele quando entram em contacto com o corpo, o que obriga os astronautas a limparem os seus corpos com esponjas molhadas. Os braços tendem a ficar suspensos, o que transmite uma sensação de estranheza. Outra dificuldade é relativa à pouca privacidade existente durante a longa permanência na Estação Espacial Internacional.

Com esta missão, Scott tornou-se o astronauta norte-americano a permanecer mais dias consecutivos no espaço (o recorde mundial pertence ao russo Valeri Polyakov, que esteve 437 dias na estação espacial Mir) e também o que esteve, no total, durante mais dias no espaço – 540. Também nesta contabilidade o recorde mundial é de um russo, Gennady Padalka, que somou 879 dias de permanência no espaço.