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Beijo na boca de Pablo Iglesias a deputado marca votação no Congresso espanhol

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Domenech discursou pela primeira no Congresso. Quando desceu da tribuna, tinha à sua espera o líder do Podemos, que o cumprimentou com um excesso de informalidade

LOWER HOUSE OF SPANISH PARLIAMENT/HANDOUT/ EPA

Um beijo na boca do líder do Podemos, Pablo Iglesias, a um dos seus dirigentes, em pleno debate de votação de investidura no Congresso dos Deputados, constituiu eta quarta-feira mais um episódio da nova política espanhola que entra no parlamento.

Já acostumados a deputados sem gravata, em mangas de camisa, de "rasta", homens de cabelos compridos, mochilas em vez de pastas e deputadas de bebé ao colo, os espanhóis mais conservadores viram no Congresso mais um exemplo das "novas formas de estar na política".

A frase pertence ao Podemos, de Pablo Iglesias, que esta quarta-feira surpreendeu ao dar um beijo na boca ao deputado Xavier Domenech, de uma das suas formações regionais (o En Comú Podem, da Catalunha).

Tudo aconteceu após a intervenção de Domenech, e quando este descia da tribuna, Iglesias abraçou o seu dirigente (o En Comú Podem concorreu às eleições como "marca branca" do Podemos na Catalunha).

O Podemos - estreante no Congresso com 69 deputados (contando as formações regionais) já tinha surpreendido o parlamento espanhol em várias ocasiões. Na sessão de abertura da legislatura, a deputada Carolina Bescansa sentou-se na bancada com o pequeno Diego, o seu filho de poucos meses nos braços.

O bebé passou de braços em braços, de Iglesias, passando pelo seu "número dois", Íñigo Errejón, e um deputado mais afoito até voto em Diego (um voto nulo) quando foi altura de cada um escrever o nome de quem queria para presidente da Mesa do Congresso.

ANDREA COMAS/ EPA

Atrás e ao lado de Bescansa sentavam-se deputados sem gravata, de mangas arregaçadas, de cabelos masculinos compridos apanhados em "rabo de cavalo", deputadas de 't-shirt' com dizeres como "Working Class Girl" e mesmo a primeira deputada afro-espanhola, originária da Guiné Equatorial.

A "nova forma de fazer política" estendeu-se hoje às intervenções do líder do Podemos, que chegou a pedir ao socialista Pedro Sánchez que lhe respondesse "olhando-o nos olhos e sem ler das cábulas preparadas pelos seus assessores".

"Eu gosto de responder ao que o adversário me perguntou antes", disse Pablo Iglesias, argumentando que as "pessoas na rua" falam de maneira diferente dos políticos, nos quais - também disse - "raramente se reveem".

Noutro episódio do debate de hoje, Iglesias foi interrompido por apupos do grupo parlamentar socialista e ripostou que "a velha política" poderia "aprender uma coisa ou duas sobre respeito de quem anda em mangas de camisa e usa o cabelo comprido".

As "novas formas" - o presidente da Mesa chegou a cometer o deslize de tratar Iglesias por "tu" em vez da tradicional "sua senhoria" ou "usted" - deram lugar, no que toca a votações, a resultado esperados, mas invulgares.

A candidatura do socialista Pedro Sánchez para presidente do Governo foi apoiada pelo centro-direita (Ciudadanos) e a direita tradicional, o PP de Mariano Rajoy, obteve - no momento decisivo de hoje - votou ao lado do resto da esquerda: Podemos, Izquierda Unida, Esquerra Republicana Catalana, entre outras.

Há dois meses e meio a navegar em "águas desconhecidas" (com um PP que ganha, mas sem maioria absoluta e o PSOE a tentar repetir a "fórmula portuguesa"), os atores políticos parecem reservar cada sessão parlamentar para dar mais uma surpresa aos eleitores de Espanha.